Federação Belga pede suspensão de Balogun em jogo por vaga nas quartas de final da Copa do Mundo


A Federação Belga de Futebol anunciou nesta segunda-feira que está “impugnando a elegibilidade” do atacante americano Folarin Balogun para a partida das oitavas de final da Copa do Mundo entre Bélgica e Estados Unidos, marcada para Seattle, às 21h de hoje (horário de Brasília). A entidade, no entanto, não especificou a qual instância pretende recorrer.

Em comunicado, a Real Federação Belga de Futebol (URBSFA) afirmou estar “profundamente preocupada com o desenrolar dos acontecimentos” e informou que “dará continuidade às suas iniciativas (…) para defender os princípios fundamentais da ética, da justiça esportiva e os interesses do futebol como um todo”, após a suspensão da punição decorrente do cartão vermelho recebido por Balogun.

A federação belga informou que, após tomar conhecimento “pela imprensa” da decisão de suspender a punição de Balogun, enviou uma carta à Fifa solicitando “uma cópia da decisão, esclarecimentos sobre o procedimento adotado e manifestando sua posição quanto à aplicação da regulamentação vigente”.

“Até o momento, a URBSFA não recebeu nem a decisão da FIFA nem qualquer explicação sobre este caso. Nessas circunstâncias, não lhe resta outra opção senão impugnar a elegibilidade do jogador para a próxima partida”, afirmou a federação.

As regras da Fifa preveem que o presidente da Comissão de Apelação pode decidir um caso individualmente. Entretanto, como o cargo é ocupado pelo americano Neil Eggleston, ele precisou se declarar impedido e ceder sua função a outro integrante da comissão.

Depois disso, ainda existe a possibilidade de recurso ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS). Na tarde desta segunda-feira, porém, esse recurso ainda não havia sido apresentado pela Bélgica, informou à AFP o secretário-geral do TAS.

As reações de indignação continuaram a se multiplicar nesta segunda-feira após a decisão da FIFA, divulgada no domingo, de anular a suspensão que impediria Balogun de disputar as oitavas de final contra a Bélgica.

A polêmica começou após a expulsão de Folarin Balogun na vitória dos Estados Unidos sobre a Bósnia e Herzegovina por 2 a 0. Pelo Código Disciplinar da Fifa, o atacante deveria cumprir suspensão automática nas oitavas de final.

No entanto, o Comitê Disciplinar da entidade decidiu suspender a punição, permitindo que o jogador enfrentasse a Bélgica.

Reportagens do The Athletic, da Associated Press e do New York Times revelaram que Donald Trump telefonou para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, para discutir o caso. Fontes ouvidas pelos veículos também apontaram que integrantes da Casa Branca acompanharam as articulações ao lado da Federação de Futebol dos Estados Unidos (US Soccer).

Também nesta segunda, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, admitiu ter falado ao telefone com o presidente Donald Trump sobre o assunto mas afirmou que não interfere em decisões disciplinares e que os órgãos judiciais da entidade “são independentes”.

‘Árbitro suspeito’, diz Trump

Após a decisão, Trump comemorou publicamente nas redes sociais.

“Obrigado à Fifa por fazer o que era certo e corrigir uma grande injustiça”, escreveu o presidente americano.

Nesta segunda-feira, Trump voltou a comentar publicamente o caso. No Salão oval da Casa Branca, ele defendeu que a expulsão de Balogun foi um erro da arbitragem e fez críticas ao árbitro brasileiro Raphael Claus, responsável pela partida entre Estados Unidos e Bósnia e Herzegovina.

— Eu vi o lance. Sou uma pessoa que adora esportes, fui um bom atleta e entendo muito de esporte. Aquilo não foi falta. Nem sequer foi uma infração. Eram dois jogadores correndo em alta velocidade que simplesmente se chocaram. E aquele árbitro… é um pouco suspeito. Não gosto de criar polêmica, mas foi muito suspeito. Ele tomou uma decisão em que ninguém conseguiu acreditar. Até as pessoas do outro lado diziam: “Tivemos sorte”. Foi algo muito interessante — declarou.



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