Inglaterra x Noruega: como a Copa fez até a realeza se curvar ao futebol


Antes mesmo de a bola rolar entre Inglaterra e Noruega, neste sábado (11), pelas quartas de final da Copa do Mundo, o confronto já coloca frente a frente duas coroas. De um lado, o príncipe William, figura constante ao lado da seleção inglesa e presidente de honra da Federação Inglesa (FA). Do outro, a família real norueguesa, que embarcou na euforia de uma campanha inédita e se aproximou do elenco ao longo do Mundial. Em comum, o reconhecimento de que poucas instituições ainda conseguem mobilizar um sentimento nacional tão intenso quanto o futebol.

Em Wembley, em Eurocopas, Copas do Mundo ou finais de Copa da Inglaterra, William se tornou um personagem frequente. A presença do herdeiro do trono britânico acompanha uma mudança de postura em relação ao pai, Charles III. Embora chefe de Estado do Reino Unido e de países como Canadá, Austrália e Nova Zelândia, os reinos da Commonwealth que compartilham o mesmo monarca e estiveram na Copa, o rei sempre adotou uma posição mais institucional. William, por outro lado, assumiu a torcida pelo escrete inglês e transformou sua relação com a seleção em uma marca.

A presença das famílias reais no torneio não foi exclusividade das duas seleções. Nos Países Baixos, o rei Willem-Alexander e a rainha Máxima protagonizaram uma maratona ao acompanhar, no mesmo dia, a vitória da Holanda e o empate histórico de Curaçao, país autônomo que integra o reino. Depois, também foram ao vestiário da equipe caribenha para celebrar. Na Bélgica, o rei Philippe telefonou ao elenco após a classificação sobre os Estados Unidos para parabenizar a equipe.

A Jordânia contou com o apoio da família real: o príncipe herdeiro Hussein e a princesa Rajwa acompanharam a seleção na estreia histórica do país em Copas. E o Japão, eliminado em uma derrota contra o Brasil, na segunda fase, manteve uma tradição da Casa Imperial com a presença da princesa Takamado em jogos da equipe durante o Mundial.

Para Leda Maria da Costa, pesquisadora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), as cenas simbolizam uma inversão de papéis:

— O vestiário pode até ser um lugar sagrado para os boleiros, mas é um espaço profano para um monarca. Essa adesão passa pela necessidade de aceitação popular. A realeza se curva ao futebol, e não o futebol a ela. Ela depende mais do futebol do que o futebol dela — analisa.

Segundo a especialista, esse contexto ajuda a explicar tanto a postura de William quanto o entusiasmo da família real norueguesa. Enquanto o príncipe britânico aposta em uma identificação direta com a seleção inglesa, movimento que pode fortalecer sua imagem pública em caso de sucesso esportivo, a família real da Noruega já colhe os efeitos de uma campanha que, independentemente do resultado contra a Inglaterra, transformou a equipe em um símbolo nacional.

— As vitórias no futebol são capazes de mudar tudo — afirma.



Source link

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *