Ao longo de 4 anos, está previsto que os estádios de Madri, Lisboa, Casablanca e das demais cidades participantes recebam a Copa do Mundo de 2030, em uma edição histórica que será realizada pela primeira vez em 3 continentes e que aposta no esporte para construir uma ponte entre as duas margens do Estreito de Gibraltar.
Mas o jornal “Marca”, da Espanha, considera que a recente crise de Ceuta relembra o outro lado da relação entre Marrocos e Espanha; afinal, cerca de 49 mil pessoas cruzaram do reino situado no noroeste da África em direção a Ceuta, na maior crise migratória que a cidade enfrenta desde 2021.
Ao menos 24 pessoas perderam a vida durante as tentativas de travessia, com o reforço da cerca fronteiriça e a mobilização da Guarda Civil e do Exército espanhol.
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O autor do artigo, Gerardo Riquelme, considera que a crise é, antes de tudo, uma tragédia humana, mas aponta que os fluxos migratórios em direção aos enclaves espanhóis não acontecem por conta própria, dependendo em grande medida do quanto Marrocos controla suas fronteiras, uma carta cujo uso esteve historicamente ligado ao estado das relações com Madri.
Na crise de 2021, os acontecimentos de Ceuta coincidiram com a internação do líder da Frente Polisário em um hospital da cidade espanhola de Logroño, contaminado com covid e com uma identidade falsa, ao passo que Rabat sempre negou qualquer ligação entre os dois fatos e atribuiu os fluxos migratórios às redes de tráfico de pessoas, segundo Riquelme.
“Crise de confiança”
A questão ganha uma importância especial com Marrocos, Espanha e Portugal sediando o Mundial de 2030; afinal, o torneio exige confiança e ampla coordenação em segurança, transporte, vistos e controle de fronteiras. Por isso, o artigo levanta uma pergunta sobre as garantias em que essa confiança se baseia, se a gestão da migração pode mudar de acordo com o clima diplomático.
O artigo considera que os dois países precisam, antes de 2030, de um marco estável para a migração, que não dependa da boa vontade de nenhum governo, seja para proteger as pessoas que arriscam suas vidas na cerca, seja para garantir o sucesso de um Mundial que supostamente simboliza a união.
Por outro lado, cabe à Espanha reforçar sua cooperação com Marrocos, inclusive no âmbito da inteligência, mantendo uma postura firme. Ceuta e Melilla, como lembra o artigo, não são apenas uma porta de entrada para a Espanha, mas para a União Europeia e seus 27 países.
O artigo conclui que o Mundial de 2030 será apresentado, com razão, como uma celebração do futebol e uma aliança entre civilizações, mas as comemorações são melhores “quando a casa está em ordem”.











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