A Copa do Mundo 2026 mostrou que as denúncias do jornalista falecido Andrew Jennings, desvendando o mundo obscuro da FIFA tinham fundamento. Autor de The Lords of the Rings, suas revelações permitiram investigações do FBI que ficaram mundialmente conhecidas como FIFAGATE e que levaram aos tribunais os presidentes da FIFA Joseph Blatter e o brasileiro João Havelange.
Em campo, em 2026, Folarim Balogun, atleta dos Estados Unidos em partida contra a Suíça, recebeu cartão vermelho aplicado pelo árbitro Rafael Klaus, com pronta reação por parte do presidente Donald Trump que veio a público desqualificar o brasileiro chamando-o de suspeito, transformando o jogo de Copa do Mundo numa verdadeira pelada de várzea.
É elementar o respeito à independência do árbitro, que foi pisoteado pela FIFA ao ser anulada a suspensão aplicada decorrente da punição que havia sido por ele imposta. Ele foi desautorizado por força da ingerência de um líder político por trás das cortinas do poder, manchando por todo o sempre a disputa.
Tornou menos grave a manipulação do General Videla na derrota peruana por 6×0 para colocar a Argentina na final daquela Copa disputada naquele país em 1978. Menos grave sim, como sabiamente advertiu Eugênio Bucci em conversa que tivemos, porque Videla exercia o poder de forma ditatorial, ao passo que Trump foi escolhido em eleições regulares.
Mas não é só: esta copa entra para a História por ter sido impedido de entrar nos Estados Unidos, onde tem agido a truculenta ICE, o árbitro somali Omar Artan, pela imigração, por suposta suspeita de terrorismo sem qualquer espécie de comprovação ou acusação formal. O governo alegou preocupações ligadas à segurança e verificação de antecedentes, possivelmente associadas a restrições de entrada no país impostas a cidadãos somalis em geral. Afirmaram suspeitas de vínculos com “pessoas perigosas”.
Após desembarcar em Miami para o treinamento da FIFA, apesar de possuir Omar visto válido e ser considerado o melhor árbitro da África, foi submetido a um interrogatório de 11 horas e teve a entrada negada, sendo enviado de volta para seu país. Ele seria o primeiro árbitro da Somália a apitar em uma Copa do Mundo. A FIFA se calou e se submeteu ao ato de arbítrio.
Killian Mbappé foi vítima de racismo por parte de Senadora paraguaia e respondeu de forma vigorosa assim como sua federação. E mais ninguém. Nenhuma palavra foi ouvida a este respeito pela UEFA, pela FIFA. Mas é importante salientar que os grandes nomes dos times também silentenciaram, como Messi, Kane, Bellingham (que é negro) e principalmente Vini Jr, que se apresenta como embaixador desta causa.
Na partida Argentina x Egito, o técnico Hossam Hassan acionou o protocolo antirracismo e foi desprezado como se fosse um ser invisível. A FIFA se calou.
O racismo não é questão individual, local ou regional. É problema da humanidade. E estes fatos ocorreram num contexto específico – uma disputa global. Um dos raros momentos em que o mundo se interliga e as nações souberam que dos fatos. E que a FIFA e que todos se calaram, retroalimentando a impunidade desta prática odiosa.
A FIFA é, sim, um organismo privado, é verdade, e a copa é uma competição que visa lucro. Mas está obrigada à accountability como todas as organizações do mundo privado, público e do terceiro setor. Neste novo tempo, a dimensão ESG obriga a todos e, nesta perspectiva, a FIFA deve ao mundo governança íntegra e eficiente e permanente prestação de contas.











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