A derrota para a Espanha na final da Copa do Mundo não alterou o forte vínculo que os argentinos construíram com a seleção durante o ciclo de Lionel Scaloni. Longe de resultar em questionamentos ao treinador ou a Lionel Messi, o desfecho deixou uma sensação predominante de apoio e reconhecimento, embora também tenha aberto espaço para interpretações que vão além do estritamente futebolístico. É o que aponta uma pesquisa nacional realizada pela Giacobbe Consultores cinco dias após o encerramento do torneio.
O estudo mostra que, mesmo sem conquistar o bicampeonato esperado, a avaliação da equipe continua elevada. A imensa maioria dos entrevistados quer que Scaloni permaneça à frente da seleção (88%) e também deseja que Messi prolongue sua carreira internacional, seja até a próxima Copa América (37%) ou, até mesmo, alimentando o sonho de vê-lo chegar à Copa do Mundo de 2030 (43,8%). As mensagens que os argentinos dedicariam aos dois também refletem esse sentimento de gratidão: enquanto, para o capitão, se destacam palavras como “obrigado”, “gênio”, “campeão” e “ídolo”, no caso do treinador predominam termos como “líder”, “mestre” e “fica”, uma síntese do desejo de que o projeto iniciado em 2018 tenha continuidade.
Esse apoio convive com outra conclusão que chama a atenção. Embora a explicação mais escolhida para a derrota tenha sido a de que a Espanha foi superior no aspecto futebolístico (45%), uma parcela significativa dos entrevistados optou por argumentos alheios ao desenvolvimento da partida. Ao agrupar as respostas que mencionam uma suposta conspiração para impedir o bicampeonato, a conveniência política de a Argentina não voltar a ser campeã e o possível impacto da bandeira das Malvinas exibida após a vitória sobre a Inglaterra, observa-se que cerca de um terço dos participantes encontra fora de campo as razões para a derrota: 14,6% disseram acreditar que houve uma conspiração para impedir a Argentina de conquistar o bicampeonato; 9,6% afirmaram que o poder não tinha interesse no bicampeonato; e 9,5% consideraram que a bandeira das Malvinas exibida após a vitória sobre a Inglaterra teve uma influência negativa.
A convivência entre essas duas visões revela um fenômeno singular. A frustração não é direcionada aos protagonistas, mas há uma busca por explicações alternativas para um resultado que interrompeu o sonho de repetir o título conquistado no Catar. O capital simbólico construído pelo elenco nos últimos anos parece permanecer intacto mesmo após a derrota na final.
O levantamento também permite reconstruir como o torneio foi vivido desde antes da estreia. A expectativa era muito alta: a maioria confiava que a seleção tinha condições de voltar a levantar a Copa do Mundo e, após o fim do campeonato, mais da metade afirmou que, durante a campanha, acreditou que a equipe poderia alcançar esse objetivo. Essa confiança anterior ajuda a explicar por que a derrota gerou a necessidade de encontrar respostas que vão além do resultado esportivo.
Outro aspecto que se destaca é o nível de satisfação com o desempenho da seleção. Tanto no aspecto futebolístico quanto no comportamental, predominam amplamente as avaliações positivas. Mesmo entre aqueles que esperavam um novo título, o desempenho geral da equipe mantém um alto nível de aprovação (78,8% no aspecto comportamental e 74,7% no futebolístico), reforçando a ideia de que a derrota não abalou o prestígio de um ciclo que já ocupa um lugar de destaque na história do futebol argentino.
O levantamento deixa, em definitivo, um retrato do estado de espírito dos argentinos após a Copa do Mundo. A frustração por não ter conquistado o bicampeonato convive com um reconhecimento majoritário àqueles que comandaram a equipe nos últimos anos. Messi continua associado à gratidão e à admiração; Scaloni, à continuidade e à confiança. Ao mesmo tempo, uma parcela da sociedade busca explicações fora do campo para uma derrota que ainda é difícil de assimilar.
O relatório foi elaborado pela Giacobbe Consultores entre 20 e 24 de julho de 2026, com uma amostra de 1.200 entrevistados em todo o país. O levantamento foi realizado por meio de pesquisas em dispositivos móveis, com margem de erro de 3% e uma amostra ajustada por cotas de gênero, idade, nível educacional, renda e região.











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