Pouco exigido, goleiro da Espanha pode bater recorde de tempo sem ser vazado em Copas graças ao tiki-taka; entenda


Responda rápido: quais foram as grandes defesas de Unai Simón na Copa do Mundo de 2026? Se foi difícil de lembrar, a culpa não é sua: foram poucas, praticamente uma por jogo, nenhuma muito memorável. Mas é o suficiente para o goleiro da Espanha estar a 90 minutos da chance de atingir, nesta quinta-feira, contra a Áustria, às 16h (de Brasília), o recorde de mais minutos consecutivos sem ser vazado em Copas. É um desses feitos individuais que, na verdade, traduzem os pontos fortes de um jogo coletivo, como é o caso do tiki-taka espanhol.

Simón já era o titular da Espanha na Copa de 2022, e foi vazado pela última vez aos 6 minutos do segundo tempo da derrota por 2 a 1 para o Japão, pela última rodada da fase de grupos. Em seguida, passou 120 minutos de tempo normal e prorrogação sem sofrer gols no empate em 0 a 0 com Marrocos, pelas oitavas, quando a Espanha foi eliminada nos pênaltis — que não são contabilizados na estatística.

Nesta Copa de 2026, Simón não foi vazado em nenhum dos três jogos da fase de grupos. Com isso, acumula 429 minutos sem buscar a bola no fundo da rede. Se tiver mais um jogo completo dessa maneira, supera o recorde de 517 minutos obtido pelo goleiro italiano Walter Zenga, na Copa de 1990.

Para chegar ao recorde, Simón fez exatas três defesas na Copa de 2026: em um cabeceio do atacante Arcanjo, de Cabo Verde, aos 44 do segundo tempo na estreia; e em chutes à meia altura de Al-Hamdan, da Arábia Saudita, e de De la Cruz, do Uruguai, também já na reta final dos respectivos jogos.

Em 2022, com bola rolando contra os marroquinos, ele também só foi acionado uma vez, em um chute do lateral-esquerdo Mazroui, outra vez de fora da área e à meia altura.

Além do nível de dificuldade relativamente baixo dos chutes e da predominância de adversários em fases iniciais de Copas, há outro elemento comum às partidas nas quais Simón construiu seu possível recorde: a Espanha dominou a posse de bola em todas elas. Nos cinco jogos, os espanhóis executaram à risca seu tiki-taka e ficaram com a bola por dois terços ou mais do tempo de jogo. Quanto mais tempo de posse, menos tempo para ser atacado pelo adversário.

Sob o comando do treinador Luis de la Fuente, a Espanha não só vem permitindo poucas chances para os rivais, como também vem conseguindo minimizar seu perigo quando elas aparecem. Nesta Copa, as três finalizações que a seleção espanhola permitiu para seus adversários geraram, segundo os dados da Opta, apenas 0,18 “gols esperados” — métrica conhecida como “xG”, e que mede a qualidade das chances de gol. É o menor índice permitido por qualquer seleção neste Mundial.

Simón, por sua vez, se manteve como titular não só pelos números, mas por ter a confiança do treinador. De la Fuente — um ex-jogador do Athletic Bilbao (ESP), que é também o único clube da carreira de Simón — já havia trabalhado com o goleiro nas seleções de base da Espanha, antes de assumir a equipe principal no fim de 2022.

Na ocasião, apesar da eliminação para Marrocos, Simón havia defendido um pênalti, sustentando sua fama de bom desempenho em penalidades máximas. Segundo levantamento do portal Squawka, o goleiro espanhol tem um aproveitamento de 21% em pênaltis na carreira, com 15 defesas em 72 cobranças. Em disputas de penalidades, o desempenho é ainda melhor: Simón defende, em média, uma a cada quatro cobranças.

O percentual é superior ao de David Raya, goleiro do Arsenal (ING), que ameaçou sua titularidade nesta Copa após uma ótima temporada, e que tem aproveitamento de 12% em penalidades.

No ano passado, após Simón fazer grandes defesas na semifinal da Liga das Nações da Uefa, quando a Espanha eliminou a temida França, De la Fuente cobriu seu goleiro de elogios:

— Unai (Simón) foi muito maltratado e questionado durante muito tempo. Espero que alguns agora reconheçam o valor que ele tem. Sua trajetória é espetacular, e ele é um grande companheiro de equipe — disse o treinador espanhol à época.

Apesar do mérito coletivo para o possível recorde em Copas, a marca individual pode também ser um desses momentos de reconhecimento que De la Fuente quer proporcionar a Simón.

Rival da Espanha nesta quinta-feira, a Áustria pode ser um adversário mais duro para o recorde de Simón. Os austríacos marcaram seis gols na fase de grupos, mesmo número dos espanhóis, e garantiram a classificação ao mata-mata com um gol do centroavante grandalhão Kalajdzic nos acréscimos contra a Argélia.

A segurança defensiva que vem sobrando à Espanha, no entanto, é justamente o que falta à Áustria. Segundo dados da Opta, a seleção austríaca permitiu 14 chutes na direção de sua meta nesta Copa, e quase um a cada cinco viraram gols de adversários, um dos piores índices neste Mundial. Quem espera aproveitar essa vulnerabilidade é Lamine Yamal, que marcou seu primeiro — e até agora único — gol em Copas contra a Arábia Saudita, na fase de grupos.

Yamal, que chegou lesionado ao Mundial, afirmou no início da semana que se sente “entre 80% e 90%” da forma ideal, e que planeja, contra a Áustria, completar seu primeiro jogo completo numa Copa.



Source link

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *