A Copa do Mundo terminou e bastaram as primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro e os jogos de ida das oitavas de final da Copa do Brasil para um meme voltar a dominar as redes sociais: “que saudade da Copa”.
A comparação é inevitável. Em poucos dias, parecia que outro esporte havia sido praticado durante o Mundial. O ritmo caiu, a intensidade diminuiu, a qualidade técnica ficou muito distante do que o torcedor havia acompanhado durante um mês.
A explicação mais óbvia é também a mais verdadeira. A Copa do Mundo reúne a elite do futebol mundial. Os melhores jogadores, espalhados pelos principais clubes da Europa, passam a atuar juntos em seleções como Espanha, campeã mundial, França, Inglaterra, Argentina e Brasil. O nível individual é incomparável e isso, por si só, já explica, claro!.
Mas reduzir a diferença apenas à qualidade dos atletas seria simplificar demais a discussão. Existe também uma questão de mentalidade e de contexto competitivo. Na Copa do Mundo, em regra, duas seleções entram em campo tentando jogar futebol. Ambas querem propor, pressionar, construir e atacar. Os espaços aparecem naturalmente e a capacidade técnica dos jogadores faz a diferença.
No Campeonato Brasileiro a realidade é outra. Há um grupo de clubes com grande investimento, elencos qualificados e treinadores de alto nível, muitos deles estrangeiros, como Flamengo e Palmeiras, comandados por portugueses. Porém, existe uma faixa considerável de equipes que não dispõe da mesma capacidade financeira e encontra na organização defensiva e na redução dos espaços a melhor maneira de competir.
Não é uma escolha estética; é uma necessidade competitiva. Travar o jogo, diminuir o ritmo e levar a partida para o detalhe muitas vezes representa a única possibilidade dos clubes de menor investimento de pontuar diante dos favoritos.
Na Copa do Brasil esse cenário ganha outro ingrediente. O mata-mata iguala forças. São apenas 180 minutos para definir uma classificação milionária. Um erro pode colocar meses de trabalho em risco. Por isso, até mesmo os clubes mais fortes se tornam mais cautelosos. Os treinadores administram riscos, evitam se expor em excesso e muitas vezes preferem deixar a decisão para o confronto de volta. O resultado acaba pesando mais do que o espetáculo.
Estrutura de uma competição como a Copa do Mundo, também faz a diferença gritante
No jogo Corinthians e Athlético-PR, diferente da Copa do Mundo, teve reclamação do estado do gramadoFoto: Rodrigo Coca/Corinthians|Yan Guimarães/athletico.com.br/Divulgação/ND MaisHá ainda um aspecto frequentemente esquecido: as condições dos gramados. Na Copa do Mundo, os campos apresentavam padrão praticamente impecável. Já no futebol brasileiro, nem sempre isso acontece.
Basta lembrar o estado do gramado durante Corinthians x Athletico-PR, com muita areia aparente e a grama alta, situação que comprometeu a velocidade da bola, prejudicou a qualidade técnica da partida e ainda esteve no contexto das lesões de Yuri Alberto e Zakaria Labyad.
Fora a questão de arbitragem. A alta tecnologia utilizada, reduziram bastante a reclamação com as decisões dos árbitros. Na volta do futebol brasileiro, parece que as reclamações até aumentaram mais do que antes da parada para a Copa do MUndo.
No fim das contas, o meme faz sentido. Depois de um mês assistindo ao mais alto nível do futebol mundial, o choque de realidade é inevitável. Só que a diferença não nasce apenas da qualidade dos jogadores. Ela passa por investimento, modelo de competição, estratégia, mentalidade e até pelas condições dos gramados.
São fatores que ajudam a explicar por que, encerrada a Copa, tanta gente voltou a repetir, com uma dose de ironia e outra de saudade: “que falta faz a Copa do Mundo”.











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