O Senegal anunciou nesta terça-feira, 18, a contratação do francês Patrick Vieira, campeão mundial em 1998, como novo técnico da seleção nacional, em substituição a Pape Thiaw, demitido após a discreta passagem dos Leões da Teranga pela Copa do Mundo de 2026. Em nota publicada nas redes sociais, a federação senegalesa (FSF) classificou a contratação como um “movimento estratégico”, com o objetivo de “estabelecer uma estrutura técnica de alto nível, alinhada com as ambições esportivas do país”.
Nascido em Dakar em 1976, Vieira deixou o Senegal ainda criança e foi criado na França, onde construiu carreira como jogador e, depois, como treinador, mas nunca havia comandado uma seleção. Aos 50 anos, retorna ao país onde nasceu para assumir seu primeiro cargo no futebol internacional. As conversas com a federação se arrastavam havia semanas: o ex-jogador chegou ao Senegal em 29 de julho e discutia um projeto de longo prazo com dirigentes locais, cujo acerto esbarrou por dias em uma pendência contratual com Thiaw. Há relatos, ainda não confirmados oficialmente, de um contrato de quatro anos.
Como jogador, Vieira construiu uma das carreiras mais premiadas de sua geração. Revelado na França, chegou ao Arsenal em 1996 e se tornou peça central do time que dominou a Premier League sob Arsène Wenger, incluindo a campanha invicta de 2003-04. Foram 279 jogos e 29 gols pelo clube londrino, que capitaneou entre 2002 e 2005, além de três títulos ingleses e quatro Copas da Inglaterra. Depois de Londres, ainda defendeu Juventus, Inter de Milão e Manchester City. Pela seleção francesa, foi peça do meio-campo campeão do mundo em 1998, em casa, e da Eurocopa de 2000.
Como treinador, começou nos Estados Unidos, no New York City FC, entre 2016 e 2018. De volta à Europa, comandou Nice e Crystal Palace, passou pelo Strasbourg e, mais recentemente, pelo Genoa, na Itália, entre novembro de 2024 e novembro de 2025. Desde então estava sem clube, o que ajudou a viabilizar sua ida ao Senegal.
Thiaw pagou pela campanha discreta do Senegal no Mundial de 2026, mesmo tendo conduzido a seleção ao título da Copa Africana de Nações: o desempenho aquém do esperado nos Estados Unidos, Canadá e México pesou na decisão da federação.
Os Leões da Teranga somam quatro participações em Copas. Em 2002, na estreia histórica, venceram a França, então campeã mundial, por 1 a 0, gol de Papa Bouba Diop, avançaram às oitavas e pararam nas quartas diante da Turquia — melhor campanha africana em Mundiais até então. Voltaram somente em 2018, eliminados na fase de grupos por critério de fair play. Em 2022, sob Aliou Cissé, chegaram às oitavas antes de perder para a Inglaterra. Já em 2026, caíram para a Bélgica logo nos 16-avos, resultado que custou o cargo de Thiaw. É esse retrospecto que Vieira assume a missão de superar.









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