Uefa acusa Fifa de falta de transparência e diz que “perdeu a confiança” em Infantino


Em comunicado, entidade europeia afirma que Gianni Infantino fez acordo mesquinho nos bastidores após desistência de projeto de investidores




Gianni Infantino enfrenta muitas críticas por causa do projeto sobre investidores privados – Reprodução/Cazé TV

Foto: Jogada10

A Uefa divulgou um comunicado neste sábado, 1º, em que celebra a decisão da Fifa de abandonar o plano de vender participação em uma empresa que seria criada para administrar suas principais competições, incluindo a Copa do Mundo, a investidores privados. Ao mesmo tempo, a entidade europeia faz críticas contundentes à gestão do presidente da Fifa, Gianni Infantino, acusando a cúpula da organização de falta de transparência e de conduzir negociações nos bastidores.

A proposta foi rejeitada por unanimidade pelas 55 federações nacionais filiadas à Uefa e também recebeu oposição de diversas outras federações e confederações ao redor do mundo. No comunicado, a organização afirma que a desistência representa “uma vitória para todo o mundo do futebol”, mas ressalta que o episódio expôs uma crise de confiança na administração da Fifa.

A proposta previa a criação de uma empresa para administrar os direitos comerciais das principais competições organizadas pela Fifa, entre elas a Copa do Mundo masculina e feminina. Em troca, investidores privados adquiririam participação no novo negócio, em uma operação que poderia transferir parte do controle dos ativos mais valiosos do futebol mundial para o mercado financeiro.

Sem citar detalhes sobre os potenciais investidores, a Uefa afirma que o projeto foi elaborado de forma “secreta”, por “indivíduos anônimos”, e questiona os benefícios da iniciativa para o esporte. A entidade também cobra medidas para investigar o ocorrido: “temos de identificar os responsáveis e exigir que prestem contas”, diz a nota.

O texto direciona críticas pessoais a Gianni Infantino ao relembrar promessas feitas durante sua campanha à presidência da Fifa, em 2016. Na ocasião, o dirigente suíço afirmou que conduziria uma gestão transparente e que os recursos da entidade deveriam ser destinados exclusivamente ao desenvolvimento do futebol.

Para a Uefa, essas promessas não foram cumpridas. “O acordo mesquinho, feito nos bastidores e opaco que ele arquitetou e tentou impor estava longe de ser transparente”, aponta a entidade. Para a instituição europeia, mesmo com reservas superiores a US$ 5 bilhões, a Fifa não utilizou esses recursos de maneira suficiente para fortalecer o esporte em suas federações filiadas.

Como alternativa, a Uefa defende que a Fifa amplie os investimentos por meio do programa FIFA Forward, iniciativa voltada ao financiamento do desenvolvimento do futebol nas 211 associações nacionais filiadas à entidade. Segundo a organização europeia, parte das reservas financeiras da Fifa deveria ser destinada às bases do esporte, sem que fosse necessário abrir mão dos bens mais valiosos do futebol, como a Copa do Mundo.

Além de comemorar o recuo da proposta, a Uefa informou que iniciará discussões com suas federações-membro, outras confederações e representantes do futebol para avaliar como o projeto foi elaborado e propor medidas que impeçam iniciativas semelhantes no futuro.

A entidade ainda afirma que “a atual liderança da Fifa não só perdeu a confiança da Uefa, como também a de muitos outros membros do futebol”, indicando que o episódio pode aprofundar o desgaste político entre as duas principais organizações do futebol mundial. A Uefa conclui que a retirada do plano representa apenas o início de um processo para restabelecer a confiança na governança da Fifa.



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