UEFA considera ação judicial contra Fifa por planos de venda de participação da Copa, diz agência


Advogados que representam a UEFA, órgão que rege o futebol europeu, afirmaram que estão ‘considerando ativamente’ uma ação judicial contra os planos ​​da FIFA de vender uma participação na Copa do Mundo. A entidade máxima do futebol desistiu da ideia após a repercussão negativa e fuga dos investidores.

A UEFA e seus 55 membros foram as primeiras federações a se opor e criticar os planos na semana passada e disseram que boicotariam futuros eventos da FIFA caso fossem implementados.

Mais tarde, a organização afirmou ter ‘perdido a confiança’ em Gianni Infantino e no ‘acordo obscuro, sórdido e feito nos bastidores que ele arquitetou e tentou impor’.

Em uma carta vista pela Associated Press, advogados do escritório de advocacia Dechert, de Nova York, informaram à FIFA que estão ‘considerando ativamente ações judiciais, arbitragem e/ou reclamações regulatórias… decorrentes e relacionadas ao plano FFE (FIFA Forward Enterprise) proposto pela FIFA e todos os assuntos correlatos’.

Na carta, eles alertaram 18 executivos da FIFA de que quaisquer evidências potenciais relacionadas ao plano, como dados, documentos e mensagens eletrônicas, não devem ser destruídas.

‘A UEFA o notifica formalmente de que qualquer destruição, eliminação, alteração, ocultação ou perda de materiais relevantes após a receção desta notificação – ou após qualquer data anterior em que estivesse, ou razoavelmente devesse estar, ciente de que se previa um processo – poderá constituir destruição de provas.”

O anúncio ocorre em meio a informação de que os países europeus pretendem realizar uma retirada em massa do apoio formal à reeleição de Gianni Infantino como presidente da FIFA. A medida surge em meio a uma perda generalizada de confiança na liderança de Infantino, após a tentativa frustrada de vender participações na Copa do Mundo.

A informação é do jornal The Guardian, destacando que ‘há um desejo generalizado na Europa de garantir sua rápida remoção do cargo’.

Antes da crise da semana passada, todos os 55 membros da UEFA, com exceção da Alemanha, Romênia e Noruega, haviam enviado cartas endossando a candidatura de Infantino em março, considerando um quarto mandato para o suíço como inevitável.

Presidente da FIFA, Gianni Infantino — Foto: Sports Press Photo/Sports Press Photo/Fotoarena/Agência O Globo

O primeiro a realizar isso foi o País de Gales. A Federação Inglesa de futebol também enviará uma carta retirando apoio, segundo a rede de TV britânica Sky Sports.

O The Guardian afirma na reportagem que uma retirada simultânea foi cogitada, mas também existe a possibilidade de as associações-membro retirarem seu apoio uma a uma. Fazer isso equivaleria, na prática, a um voto de desconfiança e aumentaria a pressão sobre Infantino para que renunciasse. A FIFA deve ser notificada por qualquer país que deseje revogar sua carta.

Mais de 200 dos 211 membros da Fifa forneceram cartas de apoio a Infantino. O veículo diz que a Fifa exerceu forte pressão sobre aqueles que estavam indecisos, mesmo que seu mandato não parecesse ameaçado na época.

Muitos o apoiaram apesar de expressarem, em privado, reservas sobre sua presidência, mas, na Europa e em outros lugares, a paciência se esgotou.

Na última terça-feira, a entidade máxima do futebol mundial confirmou que Infantino queria lançar uma subsidiária avaliada em US$ 20 bilhões e vender mais de 20% da nova FIFA Forward Enterprise, arrecadando US$ 4,2 bilhões de investidores privados.

O plano desencadeou ampla oposição das confederações de futebol, das associações nacionais e de figuras importantes dentro da organização.

O principal assessor de Infantino também renunciou, além da declaração de diretores, fazendo ele abandonar os planos poucos dias depois.

Copa do Mundo da Fifa 2026 — Foto: William Volcov/Brazil Photo Press/Agencia O Globo

No sábado (1), após anúncio do fim dos planos, a UEFA, entidade que rege o futebol europeu, divulgou um comunicado afirmando que ‘perdeu a confiança’ em Gianni Infantino.

O texto afirmava que o ‘acordo sórdido, obscuro e clandestino que ele arquitetou e tentou impor’ era ‘tudo menos transparente’.

A UEFA ameaçou anteriormente que seus membros boicotariam as competições da FIFA caso os planos não fossem abandonados, com a AFC e a CONCACAF se juntando na medida.

A organização afirmou que acolheu favoravelmente a decisão da FIFA de retirar o plano e agradeceu aos ‘torcedores, ligas, clubes, jogadores, indivíduos, associações e confederações que se opuseram ao projeto’.

‘Precisamos começar a usar parte desse dinheiro parado na conta bancária da FIFA para dar o impulso inicial que o futebol de base e o futebol em geral precisam em cada um dos 211 países filiados à FIFA. Mas não precisamos vender as joias da família para pagar por isso’.

O texto acrescenta que a entidade máxima não poderia continuar ‘com esquemas secretos em ritmo acelerado, arquitetados por indivíduos sem rosto e de duvidoso benefício para o esporte. Devemos identificar os responsáveis ​​e responsabilizá-los’

O texto também afirma que ‘a atual direção da FIFA não só perdeu a confiança da UEFA, como também a de muitos outros membros da família do futebol’.

Gianni Infantino, presidente da Fifa, e Donald Trump, presidente dos EUA, na final da Copa do Mundo 2026 — Foto: Divulgação/Casa Branca



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