Franco Baresi, que morreu nesta sexta-feira aos 66 anos (1960-2026), foi uma espécie de Pelé da defesa. Eu era criança quando ele fez parte do elenco da Itália campeã da Copa do Mundo de 1982 sob o comando de Enzo Bearzot. Adolescente, vi o esforço do líbero para passar por uma artroscopia durante a Copa do Mundo de 1994 e não ser cortado por Arrigo Sacchi. Resiliente, suportou os 120 minutos da final contra o Brasil, às 12h, no Rose Bowl, em Pasadena. Domou Romário no tempo regulamentar, na prorrogação, e perdeu o primeiro pênalti da Squadra Azzurra na final. Mandou a bola acima do travessão de Taffarel, como fez o compatriota Roberto Baggio.
Contemporâneo do técnico da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti, na era dourada do Milan na gestão de Silvio Berlusconi, Franco Baresi disputou três Copas (1982, 1990 e 1994), os Jogos Olímpicos de Los Angeles-1984, foi um dos condutores da tocha nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina-2026, e era tão bom, tão bom, mas tão bom de bola, que virou adjetivo para zagueiro fora de série no futebol.
Um deles nasceu no Distrito Federal em 1974. Filho de um servidor público transferido para a capital do país no início dos anos 1970, Gélson Tardivo Gonçalves Júnior cresceu no Cruzeiro Novo até o pai ser requisitado de volta pelo emprego à Cidade Maravilhosa. A família seguiu para o bairro de Cascadura, na Zona Norte do Rio de Janeiro.


Lá, Gélson escolheu a carreira de jogador de futebol. Acesso a modalidade pelas divisões de base do Clube de Regatas do Flamengo. Promissor, do supervisor de futebol Jairo dos Santos o apelido de “Baresi” por causa das características da joia rubro-negra.
“Eu saía jogando, voltava, sabia me posicionar. Quando o Jairo dos Santos fez essa comparação, eu estava subindo para o profissional aos 17 anos. A minha estreia foi contra o Botafogo, na Ilha do Governador, pelo Carioca. A imprensa fez uma matéria comigo, usou Baresi, e no dia seguinte estava em todos os jornais. Virei Gélson Baresi”, conta em entrevista exclusiva ao blog Drible de Corpo.
O apelido colou mais ainda porque ele estreou bem e evoluiu no Flamengo. Reserva de Junior Baiano na conquista do Campeonato Brasileiro de 1992, foi titular no segundo jogo da final contra o Botafogo ao lado de Wilson Gottardo aos 18 anos de idade. Fazia parte de uma geração dourada da base ao lado de Marcelinho Carioca, Djalminha, Paulo Nunes, Fabinho, Júnior Baiano, entre outros jovens talentos pedindo passagem.
Gélson demorou a se acostumar com o apelido Baresi. “Fiquei muito preocupado. Eu era apenas um menino começando a carreira profissional. Tentei tirar esse apelido, a comparação, essa responsabilidade desnecessária, mas não foi possível. Hoje, todos me conhecem como Gélson Baresi”, rende-se o agente de jogadores de futebol.


Em 1993, o Flamengo fez uma excursão à Europa para amistosos e Gélson Baresi conheceu Franco Baresi. “O time fez alguns jogos na Itália e enfrentamos o Milan”, lembra. No mesmo ano, com a bênção do líbero italiano, ele conquistou o Sul-Americano Sub-20 como titular da Seleção Brasileira na Austrália.
O ex-zagueiro viveu a melhor fase da carreira na passagem pelo Cruzeiro. Ganhou a Copa do Brasil em 1996, um bi no Campeonato Mineiro e a Copa Libertadores da América em 1997 jogando, mais uma vez, ao lado de Wilson Gottardo. Uma grande dupla! “Foram dois anos e sete meses no Cruzeiro e ganhamos sete títulos”, recorda.
O executivo de futebol até pensou em acrescentar o apelido “Baresi” ao nome, mas desistiu. Nem precisou. O sobrenome virou marca. “Todos me conhecem assim”, diz Gélson, surpreso com a morte do “xará”. “Havia saído para fazer uma exames e demorei a saber. “Tem 66 anos. A vida é um sopro. A gente nunca sabe a hora. Deixou legado”, homenageia.
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