‘Gol moleque’: ato de rebeldia deu ao Cruzeiro a Liberta de 76


Um ato de coragem e rebeldia mudou a história do Cruzeiro. Aquela cobrança de falta de Joãozinho, que resultou no gol do título da Copa Libertadores de 1976 — a primeira taça internacional do clube estrelado — foi muito mais do que um lance de sorte. Destino? Não para o camisa 10, que, passados 50 anos daquele 30 de julho, ainda tenta explicar por que pegou a bola e chutou em direção ao gol.

Para entender a história, porém, é preciso voltar àquele momento. Era o terceiro jogo da final entre Cruzeiro e River Plate-ARG. Cada equipe havia vencido uma partida, e a decisão era disputada no Estádio Nacional de Santiago, no Chile. Aos 43 minutos do segundo tempo, o placar marcava 2 a 2 quando Palhinha sofreu uma falta na entrada da área argentina. Os olhares, então, se voltaram para um único jogador: Nelinho.

O lateral-direito era, como explica Joãozinho, o “maior cobrador de faltas do mundo”. O River conhecia a fama do brasileiro e não facilitou: colocou dez jogadores na barreira. O que ninguém esperava era que, de repente, Joãozinho pegasse a bola e cobrasse a falta. O goleiro Ubaldo Fillol ficou parado no meio do gol, apenas assistindo à bola morrer no ângulo direito.

Tudo aconteceu muito rápido, antes mesmo de o árbitro Alberto Martínez autorizar a cobrança.

“Eu estava vendo o goleiro lá, muito preocupado com o Nelinho, olhando o Nelinho, aquela catimba do argentino, brigando. E o River tinha feito um gol também sem o juiz apitar uma falta, a mesma coisa (no empate por 2 a 2)”, relata o ‘Bailarino’, em entrevista exclusiva a O TEMPO Sports.

O que aconteceria depois, porém, nem o próprio Joãozinho poderia prever. Zezé Moreira ficou transtornado quando o camisa 10 cobrou a falta no lugar de Nelinho. Nem mesmo o título e a taça acalmaram os ânimos do treinador. Foi justamente daquele episódio que nasceu o apelido que eternizou Joãozinho como autor do “gol moleque”.

“Acabou tudo, todo mundo comemorando, eu estou entrando dentro do vestiário, e ele (Zezé Moreira) não me deixou entrar. Ele disse: ‘Você é um moleque, você é irresponsável, você não vai voltar com a gente. Você não podia fazer isso. Você não era treinado para isso. O Nelinho é treinado para isso’”, afirmou.

Os companheiros de equipe precisaram intervir para conter a irritação de Zezé Moreira.

“Depois vieram todos os jogadores e falaram com ele, que a gente ia comemorar depois. ‘Como a gente vai para a comemoração sem o Joãozinho?’ Aí ele me deixou voltar com a delegação”, relembra, aos risos.

 



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