Bitcoin fecha julho com alta de 5%, mas cenário macro ainda limita recuperação


O Bitcoin (BTC) encerrou julho negociado na faixa de US$ 63 mil, acumulando valorização de cerca de 5% no mês, segundo dados da plataforma agregadora de preços CoinGecko. Apesar do desempenho positivo, a principal representante do mercado de criptoativos termina o período cercada por incertezas, com investidores atentos ao rumo da política monetária dos Estados Unidos e ao agravamento dos conflitos no Oriente Médio. No acumulado do ano, as perdas chegam a 28%.

Para Andrew Forson, presidente da DeFi Technologies, o principal destaque de julho foi justamente a capacidade de resistência do ativo diante de um ambiente adverso. “O fato de o bitcoin ter se mantido próximo dos US$ 64 mil, mesmo diante de um cenário marcado pelo tom mais duro do Federal Reserve, pelo aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e pela forte alta do petróleo, reforça a resiliência que a criptomoeda vem demonstrando.”

Segundo ele, a volatilidade provocada pela decisão do Fed gerou liquidações de posições alavancadas e aumentou as oscilações de curto prazo, mas “não foi suficiente para alterar a tendência de sustentação do ativo”. Na avaliação de Forson, os próximos movimentos continuarão dependentes dos indicadores econômicos dos EUA e da evolução do cenário geopolítico.

Carlos Russo, CEO da Bloquo e coordenador de stablecoins, câmbio e pagamentos transfronteiriços da ABToken, avalia que, apesar das oscilações recentes acompanharem o noticiário internacional e a movimentação das principais bolsas globais, o bitcoin ainda segue uma tendência macro de baixa. Segundo ele, com base na teoria dos ciclos de quatro anos do halving (o processo que reduz à metade a “emissão” de novos tokens) a criptomoeda “deve atingir a sua mínima entre o fim de 2026 e o início de 2027”.

Gil Herrera, diretor de estratégia e operações da Bitget Latam, destaca que o ambiente macroeconômico continua limitando uma recuperação mais consistente dos ativos de risco. Ao mesmo tempo, observa que o interesse institucional permanece firme, com os ETFs americanos de bitcoin voltando a registrar entradas líquidas relevantes, de US$ 233 milhões na quinta-feira.

Por outro lado, Herrera ressalta que o mercado de derivativos ainda demonstra cautela, com o interesse em aberto dos contratos futuros praticamente estável ao longo do mês, indicando menor disposição para ampliar posições alavancadas. Na avaliação do executivo, esse comportamento ajuda a manter o bitcoin preso entre US$ 62 mil e US$ 65 mil, este segue como a principal resistência e que, “enquanto esse nível não for superado, o viés corretivo tende a prevalecer”.



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