A pré-época expresso terminou frente ao Villarreal sem que o Benfica ainda esteja seguro de si


Foi uma pré-temporada expresso do Benfica. A vitória contra o Villarreal (2-0) foi apenas o segundo amigável à porta aberta e eis que, da próxima vez que entrar em campo, já será para um jogo oficial, contra o St. Gallen.

A menos de uma semana desse encontro, Marco Silva não incorreu numa overdose de substituições ao intervalo e manteve a equipa caracterizada durante a maioria do tempo. Os processos ainda estão enferrujados, mas, pelo menos, os encarnados levam do Algarve mais repetições.

Vangelis Pavlidis teve uma postura particularmente séria. No lance do primeiro golo, baixou, recebeu de costas, rodou e distribuiu numa exibição plena dos seus melhores atributos. Com um chapéu, Rafa adiantou os encarnados (52’). Na demonstração de valências do avançado grego, faltava a finalização, capacidade que ficou patente com um remate em jeito para o fundo da baliza espanhola (76’).

Oxalá o Benfica tivesse tantos adversários no campeonato que quisessem jogar de igual para igual como o Villarreal. Nesse sentido, o jogo foi o teste demasiado fácil à capacidade de imaginação. Ficaram sobretudo alguns laivos de mobilidade e contramovimentos executados na segunda parte quando o adversário da La Liga perdeu energia.

🎨 Pintado de fresco

A marcação zonal e a maneira como o Benfica se especializou na execução da estratégia defensiva era uma das grandes bandeiras de José Mourinho. Marco Silva, 14 anos mais novo, enveredou pela tática em voga. Os jogadores encarnados não precisam de grandes indicações para pressionar. Basta-lhes colocarem o velcro ao jogador mais próximo e irem com ele até ao areal da Quarteira, se for preciso. Os laterais Alexander Bah e Samuel Dahl abandonaram por completo o ponto de partida para condicionarem os extremos em espaço interior. Com referências individuais, em certos momentos, as águias conseguiram causar sufoco aos espanhóis em armadilhas que muitas vezes terminaram em falta.

😍 Convence-me se puderes

Clément Lenglet não é o tipo de defesa imperial que sustente uma equipa como Jan Bednarek fez na vitoriosa campanha do FC Porto. No entanto, mata as saudades que o Benfica tinha de jogar com um central canhoto. Tem qualidade de passe para inventar ligações que batam pressão. O alinhamento com o parceiro não foi total, mas também não vale a pena tornar-se melhor amigo de António Silva, que está em vias de rumar à Premier League. Talvez seja melhor criar química com Gabriel Índio, que esteve pouco mais de cinco minutos no relvado. No lado esquerdo do ataque surgiu Jakub Kamiński que, encostado ao flanco, parece ter pouco a acrescentar ao jogo do Benfica.

Kamiński ainda está à procura do melhor papel na equipa encarnada

Europa Press Sports

🐣 Saídos da casca

A desvantagem de Marco Silva não conhecer o plantel do Benfica, nem mesmo os jogadores com mais estatuto, é a necessidade imperativa de testar quem transitou da época passada e os reforços nos papéis que quer ver desempenhados na sua ideia de jogo. Ao contrário do que aconteceu frente ao Flamengo, encontro em que Jaden Umeh foi titular, não houve espaço entre os titulares para jogadores formados no Seixal que ainda não se tenham estreado oficialmente na equipa principal. A aposta no irlandês não teve continuidade devido à lesão sofrida pelo jovem de 18 anos. Miguel Figueiredo e Rui Silva, lançados aos 81,’ entraram apenas para assinarem a folha de presenças.

🖼️ Estado da arte

O Benfica não vai chegar num nível fulgurante à estreia oficial contra o St. Gallen. Apesar da pré-eliminatória da Liga Europa contra os suíços decidir um objetivo tão importante para a dignidade do clube da Luz, a viagem a território helvético não será mais do que um prolongamento da pré-época. A ausência dos jogadores que estiveram presentes no Mundial – Tomás Araújo, Amar Dedić, Richard Ríos, Fredrik Aursnes, Andreas Schjelderup e Dodi Lukebakio – talvez traga melhorias.



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