O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, disse, esta terça-feira (18.08), que o Governo quer encaminhar parte das vítimas dos recentes episódios de violência xenófoba na África do Sul para oportunidades de emprego em Portugal e nos Emirados Árabes Unidos.
De acordo com o chefe de Estado moçambicano, o Executivo efetuou o registo e a triagem dos cidadãos repatriados, com o objetivo de identificar as suas qualificações profissionais e facilitar a sua reinserção.
“Temos também acordos de trabalho com os Emirados Árabes Unidos e com Portugal. Estamos a trabalhar para que sigam também para estes países”, declarou em conferência de imprensa, no final da 46.ª Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), realizada em Durban.
Segundo Daniel Chapo, muitos dos regressados possuem qualificações profissionais e estão igualmente a ser integrados numa base de dados gerida pelo Instituto Nacional de Emprego, que permite o seu encaminhamento para projetos públicos e privados em Moçambique.
Entre as oportunidades internas, destacou os projetos de gás natural na Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, referindo que o empreendimento liderado pela TotalEnergies emprega atualmente cerca de 9 mil trabalhadores, dos quais aproximadamente 7 mil são moçambicanos.
Os episódios de violência contra estrangeiros intensificaram-se na África do Sul desde o final de maio, envolvendo agressões, intimidações, saques, incêndios de residências e expulsões forçadas de cidadãos de vários países africanos.
Onze moçambicanos morreram
O Presidente sublinhou, contudo, que a prioridade inicial do Governo foi garantir a proteção e o repatriamento dos cidadãos afetados pelos ataques contra estrangeiros na África do Sul, que já provocaram, oficialmente, a morte de 11 moçambicanos.
“Quando começou este fenómeno de violência contra os nossos irmãos na África do Sul, o nosso foco foi salvar vidas”, destacou o dirigente moçambicano.
O chefe de Estado acrescentou que a maioria dos regressados é oriunda das províncias de Gaza e Inhambane, no sul do país, e indicou que muitos dos moçambicanos empregados legalmente nas minas e no setor agrícola sul-africano não regressaram ao país.
Durante a cimeira da SADC, o Presidente manifestou preocupação com os episódios de violência contra estrangeiros na África do Sul e apelou ao respeito pela dignidade humana e à promoção de migrações seguras e ordenadas na região.
“O que nós observamos é que existe a tendência de alguns cidadãos tentarem agora regularizar a sua situação documental para regressarem legalmente à África do Sul”, afirmou.
O governante reiterou que os moçambicanos que vivem no estrangeiro devem respeitar as leis dos países de acolhimento, defendendo, simultaneamente, a condenação de todas as formas de violência contra migrantes.
País já recebeu 2.071 repatriados
A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação moçambicana avançou, na última quarta-feira, que o país recebeu, na semana passada, 599 nacionais repatriados da África do Sul, vítimas de violência xenófoba, defendendo que a questão da migração na região seja debatida na cimeira da SADC.
Com estes 599, somados aos 1.472 anteriormente anunciados pelo Governo, Moçambique já recebeu 2.071 nacionais repatriados devido à onda de violência xenófoba na África do Sul, que já provocou, oficialmente, a morte de 11 moçambicanos.
Moçambique tem cerca de 300 mil cidadãos residentes na África do Sul. A Presidência indicou, em comunicado, que milhares já regressaram ao país devido à violência.
A 46.ª Cimeira Ordinária dos Chefes de Estado e de Governo da SADC decorreu entre 16 e 17 de agosto, após uma série de reuniões técnicas e ministeriais iniciadas no início do mês, reunindo os líderes dos 16 Estados-membros para discutir a integração regional, a industrialização, a segurança alimentar, as infraestruturas e a paz e segurança na região.










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