Embora o deserto da Arábia Saudita seja complicado para atravessar até nos dias de hoje, em outros momentos é possível que até mesmo os neandertais tenham atravessado e ido mais ao sul na África que os arqueólogos acreditavam ser possível.
De acordo com a nova pesquisa publicada na Quaternary Science Reviews, o encontro de ferramentas parecidas com as fabricadas pelos neandertais pode indicar a presença desses hominídeos em lugares antes nunca imaginados.
Apesar de não termos fósseis de neandertais na África, o período das ferramentas acontece ao mesmo tempo do breve momento de umidificação do deserto há 55 mil anos. O co-autor do estudo Huw Groucuttum, arqueólogo da Universidade de Malta disse à Live Science por e-mail:
Nossas descobertas estendem a faixa de Neandertal muito mais ao sul do que era conhecido, e para os ambientes muito mais abertos da Arábia”.
O passeio rumo mais ao sul da África
Conforme o artigo, o estudo se concentra nas ferramentas encontradas em Jebel Katefeh-1 (JKF-1), um sítio arqueológico ao lado de um antigo lago perto da cidade de Jubbah, no deserto de Nefud, na Arábia Saudita. No entanto, os objetos encontrados não se assemelham com ferramentas feitas por Homo sapiens.
Há alguns anos, os cientistas têm visto os neandertais como uma espécie adaptada ao frio e aos ambientes europeus. Contudo, avanços da arqueologia e da paleontologia estão revelando que mesmo no Oriente Médio esses humanoides marcaram sua presença.
Por isso, os arqueólogos desenvolveram um método de tentar identificar a presença dos neandertais através das ferramentas encontradas. Conforme os arqueólogos há modos muito típicos de cada espécie de lascar as pedras. Por isso, se fizessem um grande índice de levantamento de dados e comparasse, poderiam identificar com que espécie se assemelhava mais os artefatos.
Assim, quando terminaram o modelo estatístico, ao inserirem a ferramentas de JKF-1 os resultados apontaram para os neandertais. Mas ainda ficava o mistério de quando elas haviam sido feitas, visto que isso poderia mudar toda a percepção sobre a movimentação neandertal no mundo antigo.
Para definir quando essas ferramentas foram feitas, a equipe cavou uma nova vala no JFK-1 e datou grãos de areia do solo usando um método chamado luminescência opticamente estimulada, que revela há quanto tempo esses grãos foram expostos à luz solar pela última vez.
Umidificação e expansão
Desse modo, a datação que antes ia de 90 mil a 50 mil anos agora foi diminuída para 55 a 50 mil anos atrás, uma vez que as ferramentas foram descobertas em uma camada onde a areia do deserto mais antiga deu lugar a sedimentos mais jovens do lago. Em resumo, os neandertais ocuparam a região assim que ela passou a ficar mais úmida.
Outros profissionais da área apontam que nesse mesmo período os neandertais também estavam ocupando regiões da Ásia. Além disso, as mudanças climáticas da época podem indicar um período em que o lago se reabastecia e levava animais a pastar na região.
Ao mesmo tempo, a maior presença do verde nas terras pode ter atraído os neandertais para a zona não ocupada por nenhum outro hominídeo. Porém, como não se tem provas concretas, e o deserto é ruim para conservar DNA e materiais fósseis, não há como assegurar dessa presença.
Até o momento, a única coisa que se pode dizer é que os neandertais ocuparam uma região mais ao sul na África. Knut Bretzke, arqueólogo da Universidade de Tübingen, na Alemanha, que não estava envolvido na pesquisa, disse: “Acredito que havia algum neandertal no norte da Arábia Saudita? Sim. Acho que temos evidências sólidas para provar essa crença? Não.”
*Sob supervisão de Éric Moreira










Leave a Reply