A atual epidemia de ebola na República Democrática do Congo (RDC) se tornou a mais letal da história do país. O surto superou as 2.300 mortes registradas entre 2018 e 2020, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (17). O vírus matou 2.325 pessoas em apenas três meses.
A propagação do ebola ocorre em um ritmo sem precedentes. “A epidemia é a de propagação mais rápida já registrada e mata uma pessoa a cada 30 minutos”, alertou na semana passada o secretário de assuntos humanitários da ONU, Tom Fletcher.
Não há vacina nem tratamento disponível para a variante Bundibugyo, responsável pela atual epidemia.
Os primeiros meses do surto provocaram sete vezes mais contágios e cinco vezes mais mortes do que os três primeiros meses da pior epidemia de ebola da história, que afetou o oeste da África em 2014, segundo a Agência de Saúde da União Africana (Africa CDC).
Uganda, país vizinho da RDC, registrou 20 casos confirmados, incluindo duas mortes, mas anunciou em meados de julho que não tinha mais casos ativos do vírus.
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Em Bunia, capital de Ituri, onde quase 90% dos casos foram registrados desde o início de maio, as medidas para combater a epidemia são mínimas. As pessoas continuam aglomeradas nos mercados, sem respeito às medidas de proteção.
“A participação da comunidade na resposta continua insuficiente”, destaca Janabi. A OMS declarou na quarta-feira (12) que espera reverter a tendência de alta da epidemia na RDC em um prazo de três meses.
Desconfiança da população e subnotificação
O surto se espalha pelas províncias do leste e nordeste do país, onde a presença do Estado é frágil e a infraestrutura de saúde é precária. A desconfiança da população em relação aos centros de tratamento agrava a situação.
Flavier Ngurima, uma fonte entrevistada pela agência de notícias AFP, perdeu o irmão pouco antes de ele chegar a um centro de tratamento em Ituri, um dos principais epicentros da epidemia.
“Nós chamamos uma enfermeira de confiança para atendê-lo em casa, já que tanto ele quanto seus familiares tinham medo de comparecer ao CTE. Diziam que muitas pessoas morrem lá”, contou Ngurima.
No território de Djugu, em Ituri, a população acredita que se trata de envenenamento ou de outras doenças, explica Jean-Paul Malo Lotsima, um líder local.
“Por isso, somente no último momento, quando a família observa que a situação piora, eles levam os doentes ao hospital. E às vezes, eles morrem no caminho”, afirma.
Mohamed Janabi, diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a África, confirma que “mais de 70% das pessoas morrem na comunidade”, e não nos centros de tratamento.
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