A partir de sexta-feira, poeiras provenientes do Norte de África vão chegar ao território continental, depois de terem estado durante vários dias no arquipélago da Madeira.
Apesar das poeiras poderem abranger todo o continente, a sua concentração será reduzida devido ao percurso mais longo e indireto que efetuaram, pelo que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) não prevê um episódio com grande intensidade.
Ao contrário do que acontece nos episódios mais comuns e curtos, em que as poeiras são transportadas diretamente do Norte de África para Portugal continental, desta vez o fenômeno seguiu um percurso indireto. Depois de atingirem a Madeira e o Atlântico Nordeste, onde permaneceram durante vários dias em concentrações elevadas, serão agora arrastadas por um sistema frontal proveniente do Atlântico em direção ao continente.
“Há situações em que o transporte da poeira é feito por um caminho mais longo devido a condições atmosféricas como depressões ou anticiclones. Nesta situação, algumas poeiras irão chegar ao continente, mas não por transporte curto e direto do Norte de África”, explica Pedro Sousa, meteorologista do IPMA.
Este percurso mais longo faz com que as poeiras estejam mais dispersas no ar. “Sendo um transporte indireto, a sua concentração é muito menor, estando diluídas no ar na região onde se encontram. Desta forma, quando chegarem ao território continental estas poeiras não vão provocar um evento muito marcante”, refere Pedro Sousa.
Passagem breve
A passagem das poeiras deverá ser breve. Durante sexta-feira irá iniciar-se o transporte das poeiras para o continente, prolongando-se ao longo de sábado. Depois da passagem do sistema frontal, uma massa de ar atlântica mais limpa deverá substituir o ar afetado pelo fenômeno, e, no domingo, a concentração já não deverá ser significativa.
O fenómeno irá afetar todo o território continental de forma relativamente homogénea, sem diferenças relevantes entre regiões. Normalmente, estes episódios de transporte direto fazem com que o sul do país seja a zona mais afetada, devido à proximidade ao Norte de África. Contudo, nesta situação, “não temos grande variação ao longo do território”, uma vez que as poeiras já chegam dispersas e espalham-se por uma área generalizada, explica o meteorologista.
O fenómeno deste fim de semana não será tão intenso, “Não vamos ter um cenário tão intenso, com o céu amarelado ou laranja”, sublinha o meteorologista. No entanto, é importante relembrar que “há sempre o risco para pessoas com problemas respiratórios ou mais sensíveis”, apesar dos impactos previstos serem menores, devido à pouca concentração de pó no ar.
Durante sábado pode ocorrer precipitação, sobretudo nas regiões Norte e Centro do país, devido ao sistema frontal. Esta precipitação pode trazer um fenômeno muito comum durante a passagem das poeiras de África, a chamada “chuva de lama”, que poderá provocar deposição de resíduos de poeiras em carros, edifícios e outras superfícies.
Segundo Pedro Sousa, “As únicas alterações que estas poeiras podem causar poderá ser um pouco na tonalidade do céu e a possibilidade de alguma deposição na superfície se eventualmente houver precipitação”, insistindo que tanto na sexta-feira como no sábado “a concentração de poeira é muito reduzida”.











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