Na Zâmbia, cerca de 9 milhões de eleitores são chamados às urnas esta quinta-feira, 13 de Agosto, para eleger o novo presidente e os deputados do país. Cinco anos depois da alternância histórica de 2021, o presidente cessante Hakainde Hichilema parte como favorito face a outros treze candidatos. Mas o custo de vida, a mobilização dos jovens, a recomposição da oposição e as controvérsias à volta do processo eleitoral tornam estas eleições mais incertas do que parecem.
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Esta eleição, para a qual as assembleias de voto abriram às 06h00 locais durante um período de 12 horas, constitui um novo teste para este país considerado estável na África Austral e segundo maior produtor de cobre do continente.
O presidente cessante, que chegou ao poder depois de uma transição democrática pacífica em 2021, é acusado de ter restringido o espaço político nos últimos anos.
Homem de negócios de origens humildes, Hakainde Hichilema, “HH”, como é conhecido popularmente, venceu as eleições presidenciais de forma expressiva à sexta tentativa, afastando do poder o seu rival político Edgar Lungu (2015-2021), que morreu há um ano.
Cinco anos depois, o campo presidencial (UPND) destaca uma dívida externa reestruturada, uma inflação em queda, reservas cambiais reforçadas e mais de 50 mil empregos criados na função pública, nomeadamente na saúde, na educação e na segurança. Reivindica, também, o ensino primário gratuito, que beneficia milhões de crianças.
No domínio das liberdades, o poder recorda a abolição da pena de morte, a eliminação do crime de insulto ao presidente e a aprovação de uma lei sobre o acesso à informação, aguardada há duas décadas.
Face ao presidente cessante, Brian Mundubile afirmou-se tardiamente como o seu principal adversário.
Pouco conhecido no estrangeiro, este contabilista e advogado de 55 anos não é, contudo, um novato na política zambiana. Antigo ministro da Frente Patriótica (PF), foi responsável pela disciplina do grupo parlamentar do Governo entre 2019 e 2021, antes de se tornar líder da oposição no Parlamento após a derrota da PF.
Brian Mundubile apresenta-se como defensor dos 70% da população que vivem com menos de três euros por dia, dirige-se sobretudo aos trabalhadores do sector informal e aos mineiros artesanais descontentes com o balanço de Hichilema. No seu discurso promete também regressar a uma forma de governar mais próxima da de Edgar Lungu. Uma estratégia delicada que visa mobilizar os nostálgicos da PF sem assumir o passivo económico e político do antigo poder.
Quatro missões internacionais de observação, incluindo as da União Europeia e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), foram destacadas para as dez províncias do país.
Os cerca de 8,7 milhões de eleitores chamados às urnas deverão também escolher os seus deputados num Parlamento alargado, onde o número de lugares preenchidos por eleição directa passa de 156 para 226.
A comissão eleitoral prevê anunciar os resultados das eleições presidenciais até 17 de Agosto.











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