Brasil Concentra 60% dos Dividendos da América Latina, com US$ 6,3 Bilhões


O Brasil respondeu por quase 60% dos dividendos distribuídos por empresas da América Latina no primeiro trimestre de 2026. As companhias brasileiras pagaram US$ 6,3 bilhões (R$ 32 bilhões) aos acionistas, com destaque para a Vale e outros negócios ligados à mineração e à energia.

Para Jane Shoemake, gestora de carteiras de clientes da equipe de renda de ações globais da Janus Henderson Investors, o resultado reflete a forte presença das empresas de commodities nos mercados da região.

“Os setores de materiais e energia representam atualmente 30% do índice MSCI América Latina, em comparação com 7% do índice MSCI Mundial. Portanto, terão um impacto significativo tanto no perfil de lucros quanto no de dividendos da região”, afirmou.

Os dados fazem parte de um levantamento da Janus Henderson, gestora global de investimentos com sede em Londres e US$ 480 bilhões (R$ 2,44 trilhões) sob administração. A empresa acompanha periodicamente os dividendos distribuídos por companhias de diferentes países.

No total, as empresas latino-americanas pagaram US$ 10,5 bilhões (R$ 53,3 bilhões) aos acionistas entre janeiro e março. O crescimento subjacente, que exclui variações cambiais, pagamentos extraordinários e diferenças de calendário, foi de 15% em relação ao mesmo período de 2025.

No Brasil, o avanço atingiu 9,6% pelo mesmo critério. A Vale (VALE3) foi uma das empresas que mais contribuíram para o resultado. O dividendo por ação da mineradora passou de R$ 2,66 no primeiro trimestre de 2025 para R$ 3,58 no mesmo período deste ano, uma alta de 34,6%.

Commodities sustentam pagamentos na região

Shoemake avalia que a concentração de mineradoras e companhias de energia torna os dividendos latino-americanos especialmente sensíveis ao desempenho das commodities. Essa característica pode favorecer os pagamentos quando há valorização dos produtos básicos ou aumento da demanda por minerais.

O protagonismo das mineradoras não ficou restrito ao Brasil. No México, os pagamentos somaram US$ 1,4 bilhão (R$ 7,1 bilhões) e foram liderados pelo Grupo México. O crescimento subjacente dos dividendos no país chegou a 36,4%. No Chile, as distribuições foram estimadas em US$ 2 bilhões (R$ 10,2 bilhões).

Segundo projeções de mercado reunidas pelo IBES e citadas pela Janus Henderson, o lucro por ação das empresas latino-americanas deve crescer 29% em 2026. Para os dividendos, a expectativa é de avanço de 12% no ano.

O setor de energia deve apresentar a maior expansão, com crescimento de até 75% nos pagamentos. Para as companhias de materiais, a projeção é de alta de 19%.

IA amplia demanda por minerais

Em escala global, o setor de materiais básicos apresentou o maior crescimento de dividendos no primeiro trimestre. Os pagamentos avançaram 47,1% em relação ao mesmo período de 2025.

De acordo com a Janus Henderson, o resultado foi favorecido pela procura por minerais como cobre e lítio, utilizados em centros de dados, semicondutores e outras estruturas necessárias ao desenvolvimento da inteligência artificial.

Na avaliação da gestora, esse movimento melhora as perspectivas para empresas de mineração e materiais. Como essas companhias ocupam uma parcela relevante das bolsas latino-americanas, o aumento dos investimentos em inteligência artificial também pode influenciar os dividendos pagos na região.

Apesar do avanço dos materiais básicos, o setor financeiro permaneceu como a maior fonte de dividendos no mundo, com US$ 90,8 bilhões (R$ 461,3 bilhões) distribuídos. As empresas de tecnologia pagaram US$ 43,7 bilhões (R$ 222 bilhões).

Dividendos globais chegam a US$ 424,5 bilhões

As empresas monitoradas pela Janus Henderson distribuíram US$ 424,5 bilhões (R$ 2,16 trilhões) em dividendos no primeiro trimestre. O valor representa uma alta nominal de 10,1% sobre o mesmo período de 2025.

As recompras de ações alcançaram US$ 425,7 bilhões (R$ 2,16 trilhões) e ficaram ligeiramente acima do volume de dividendos. Ainda assim, recuaram 3,1% na comparação anual, em meio aos juros elevados, às incertezas comerciais e aos riscos geopolíticos.

Os Estados Unidos permaneceram como a principal fonte mundial de retorno aos acionistas. As empresas do país pagaram US$ 183,5 bilhões (R$ 932,2 bilhões) em dividendos e destinaram US$ 266,7 bilhões (R$ 1,35 trilhão) à recompra de ações.

Shoemake afirma que dividendos e recompras transmitem sinais diferentes sobre as expectativas das companhias.

“Os dividendos são, em geral, decisões de longo prazo do conselho de administração baseadas na sustentabilidade, enquanto as recompras de ações têm natureza mais discricionária e cíclica”, disse. Os dividendos continuam sendo o sinal mais forte de confiança, enquanto as recompras de ações atuam como um amortecedor mais flexível, acrescentou a gestora.

Para 2026, a Janus Henderson projeta crescimento de 8,3% nos dividendos globais. As recompras de ações devem seguir o caminho oposto, com queda estimada de 1,1%.eda estimada de 1,1%.



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