O presidente chinês, Xi Jinping, expressou apoio nesta terça-feira (18) à ‘independência e autossuficiência’ dos países latino-americanos durante um encontro com seu homólogo equatoriano, Daniel Noboa, em Pequim, informou a mídia estatal.
Noboa, um aliado do presidente dos EUA, Donald Trump, viajou para a China para uma visita de uma semana que começou no domingo.
Trump, que pressiona os governos da América Latina a reprimir o crime organizado e a imigração, obteve diversas vitórias diplomáticas na região desde que retornou à Casa Branca no ano passado, com países como Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica e Honduras se deslocando para a direita ou consolidando realinhamentos conservadores.
Em seu encontro no Grande Salão do Povo, Xi disse a Noboa que ‘a China apoia os países latino-americanos na defesa da independência e da autossuficiência, (e) na condução da cooperação externa com base em seus próprios interesses nacionais’.
‘A China mantém consistentemente que o status da América Latina e do Caribe como zona de paz não deve ser prejudicado, e o caminho de desenvolvimento e revitalização dos países da região não deve ser interrompido’, disse Xi, segundo a agência de notícias oficial Xinhua.
‘O direito deles de escolher parceiros de forma independente não deve ser violado’, acrescentou Xi.
Ele pediu que a China e o Equador ‘consolidassem a confiança política mútua’ e expandissem a cooperação nas áreas de energia, minerais, infraestrutura e finanças.
Presidente do Equador, Daniel Noboa. — Foto: Reprodução/Wikimedia Commons
A China restabeleceu o acesso às exportações para oito fábricas de camarão equatorianas, informou a Câmara Nacional de Aquicultura do Equador em comunicado nesta segunda-feira, classificando a medida como ‘um avanço significativo após vários meses de negociações e trabalho técnico conjunto’.
Secretário de Trump promete ataques em terra na América Latina em ações de combate ao tráfico
Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, em audiência na Câmara sobre a guerra no Irã. — Foto: SAUL LOEB / AFP
O governo Donald Trump prometeu realizar operações militares em terra na América Latina, no mesmo modelo dos ataques realizados contra supostas embarcações usadas no tráfico de drogas em águas internacionais. A promessa foi feita pelo secretário da Defesa, Pete Hegseth, que se auto intitula secretário da Guerra.
A Casa Branca tem ampliado o uso da classificação de grupos ligados ao narcotráfico como organizações terroristas, incluindo facções que atuam na região. Em junho, as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) foram declaradas organizações terroristas pelos Estados Unidos.
O secretário da Defesa fez a promessa em um local não identificado da selva do Panamá. Ele viajou ao país para acompanhar exercícios militares.
Pete Hegseth citou o Equador e a Colômbia, países governados por aliados de Donald Trump, para prometer operações “onde quer que” atuem grupos do narcotráfico:
‘Como vocês viram nos ataques sobre os barcos com drogas. Será o mesmo efeito em terra. Estamos trabalhando com Equador, Colômbia e outros parceiros para levar a luta às organizações terroristas em terra. Onde quer que trafiquem drogas ou ameacem o povo americano ou nossos parceiros, essas organizações são um alvo, assim como o Estado Islâmico ou a Al-Qaeda’.
O secretário ampliou a possibilidade de ações para além dos países que participam da aliança criada pelo governo Trump para combater os cartéis.
A aliança integra países comandados por líderes da direita latino-americana, e não conta com a participação do Brasil e do México, governados pela esquerda. Com a posse de Abelardo de la Espriella na semana passada, a Colômbia passou a integrar a Coalizão Anticartéis das Américas.
Os ataques do governo Trump contra supostas lanchas de narcotraficantes no Caribe e no leste do Oceano Pacífico deixaram pelo menos 215 mortos desde setembro do ano passado. A Casa Branca jamais apresentou qualquer prova para sustentar a alegação de que os navios atacados estavam de fato envolvidos em atividades de tráfico de drogas.
O relator Especial da ONU para o combate ao terrorismo e para os direitos humanos chegou a acusar os Estados Unidos de cometerem execuções extrajudiciais.











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