Os Estados Unidos vão estender ao território da América Latina a campanha militar já exercida no mar contra o narcotráfico. O anúncio foi feito pelo secretário de Guerra estadunidense, Pete Hegseth, nesta semana. Segundo ele, Washington pretende aplicar a capacidade operacional utilizada em ataques nos últimos meses a embarcações no Caribe e no Pacífico.
“Será o mesmo efeito em terra, e por isso estamos trabalhando com o Equador, com a Colômbia e com parceiros para levar a luta às DTOs [organizações definidas como terroristas] em terra”, disse Hegseth, no Panamá. “Onde quer que trafiquem drogas ou ameacem o povo americano ou nossos parceiros, [essas organizações] são um alvo, assim como o Estado Islâmico ou a Al Qaeda”, afirmou.
A campanha por via marítima começou em setembro de 2025 e já matou ao menos 215 pessoas em ataques a embarcações, segundo balanço divulgado pela agência AFP. Hegseth, porém, defende a letalidade da ofensiva, sustentando que não submeteria os suspeitos a processos judiciais que, segundo a autoridade, não teriam efeitos práticos.
A nova proposta estadunidense faz parte da Coalizão Anticartéis das Américas, um braço do Escudo das Américas. A aliança envolve 19 países e é liderada pelo presidente Donald Trump. Além dos Estados Unidos, compõem o colegiado países governados por lideranças alinhadas ideologicamente a Washington, a exemplo de Argentina, Polícia, Chile, Colômbia e Equador.
A Colômbia é a mais recente adesão, em decisão tomada após a chegada ao poder do presidente Abelardo De la Espriella. Segundo Hegseth, os Estados Unidos devem agir em solo colombiano para “combater o terrorismo” e conduzir operações militares conjuntas.
Gustavo Petro, que deixou a presidência no último sábado (7), criticou a decisão do novo governo. “Se não houver permissão do Senado nem do Conselho de Estado, a colaboração se converte em invasão e direito a matar colombianos, que não é conferido a nenhum país decente no mundo”, mencionou em suas redes sociais.
Os Estados Unidos ainda não deram detalhes sobre como pretendem articular as operações terrestres na América Latina, nem sobre quais países seriam especialmente afetados pelas medidas. Ainda assim, segundo Hegseth, o alvo principal seria o tráfico de cocaína, bem como de fentanil, que circula no México. O país vizinho aos EUA, porém, não integra o Escudo das Américas.










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