Juan Pablo Segura é empossado como secretário-assistente de Estado dos EUA para Assuntos do Hemisfério Ocidental.Foto: Departamento de Estado dos EUA/Reprodução/ND MaisEm meio a um período de tensão entre Washington e Brasília, o governo de Donald Trump anunciou a troca do comando diplomático responsável pelas relações com o Brasil e demais países da América Latina. Na última sexta-feira (14), Juan Pablo Segura tomou posse como secretário-assistente de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental.
“Vamos promover a visão do presidente [Donald] Trump para a nossa região: uma região protegida de cartéis e narcoterroristas, que gere prosperidade para os americanos e nossos parceiros e garanta a segurança de nossas fronteiras. Pronto para começar a trabalhar!”, declarou Segura.
Publicação feita por Segura na rede social X.Foto: Reprodução/ND MaisQuem é Juan Pablo Segura, novo chefe de escritório que supervisiona América Latina
Formado pela Universidade de Notre Dame e contador certificado, Juan Pablo Segura tem ascendência argentina e é um empresário que possui uma trajetória voltada principalmente para o setor privado.
Em 2014, fundou a Babyscripts, empresa de tecnologia voltada ao acompanhamento de mulheres durante a gravidez e o pós-parto. A plataforma foi incluída pela CB Insights entre as 150 empresas de tecnologia de saúde mais inovadoras do mundo.
Antes de ingressar no Departamento de Estado, atuou como secretário de Comércio e Negócios da Comunidade da Virgínia durante o governo do republicano Glenn Youngkin, comandando a política de desenvolvimento econômico e comércio internacional do estado.
Segura assume o lugar de Michael Kozak, diplomata com mais de 50 anos de carreira que exercia a função de forma interina desde janeiro de 2025.
Michael Kozak.Foto: Reprodução/ND MaisKozak esteve envolvido diretamente em alguns dos principais episódios do desgaste recentre entre Brasil e Estados Unidos, como a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti. Michael manteve conversas com a diplomata e informou a decisão americana de retirar o documento.
O novo secretário-assistente foi anunciado pelo governo Donald Trump para o cargo em abril. Em junho, passou por uma audiência de confirmação na Comissão de Relações Exteriores do Senado, que teve sua indicação posteriormente aprovada junto a Daniel Perez, escolhido pelo presidente republicano para assumir a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília.
Juan Pablo Segura define combate a cartéis e contenção da influência chinesa como metas
Segura apresentou como prioridades o combate aos cartéis e ao narcotráfico, o controle da influência chinesa e a pressão por mudanças políticas na Venezuela.
Questionado sobre o combate aos chamados “narcoterroristas”, defendeu uma atuação junto a outros órgãos do governo americano para encaminhar recursos ao enfrentamento destas organizações.
Durante sabatina no Senado, Juan Pablo Segura apresentou as prioridades da diplomacia americana para a América Latina.Foto: Imagem gerada por IA/ReproduçãoSegura também citou a decisão do governo Trump de classificar organizações criminosas como Organizações Terroristas Estrangeiras como uma mudança na forma como Washington pode combater estes grupos, apoiando o uso de “todas as ferramentas disponíveis” contra os cartéis.
Questionado pela senadora democrata Jeanne Shaheen sobre como os Estados Unidos poderiam recuperar o espaço na América Latina sob influência chinesa, Juan Pablo Segura acusou Pequim de recorrer a “empréstimos predatórios” e de buscar o controle de infraestruturas críticas (sistemas, instalações e ativos essenciais para funcionamento da sociedade e da economia).
Em uma tentativa de aumentar a presença econômica americana diante do avanço chinês, Segura afirmou que pretende usar a diplomacia comercial para identificar projetos e licitações na América Latina nos quais empresas americanas consigam competir.
O novo secretário-assistente também pretende dar atenção especial à segurança de portos de entrada na região, buscando impedir o fluxo de substâncias usadas na fabricação de fentanil, analgésico sintético derivado do ópio cerca de 100 vezes mais forte que a morfina. Durante a audiência, Segura usou como exemplo da nova cooperação regional a concentração de mais de 10 mil integrantes da Guarda Nacional mexicana na fronteira com os EUA.
Rubio afirma que fases do plano para a Venezuela podem ocorrer ao mesmo tempo.Foto: The White House/Reprodução/ND MaisEm relação à Venezuela, Juan Pablo Segura declarou apoio à estratégia defendida pelo secretário de Estado Marco Rubio de dividir o processo político no país em três etapas: estabilização, recuperação e reconciliação e, enfim, transição.
De acordo com Segura, neste momento Washington está na segunda fase e deve continuar pressionando pela libertação de presos políticos antes de chegar na etapa das eleições.
Indagado sobre direitos humanos em El Salvador, o novo secretário-assistente reconheceu a cooperação do governo de Bukele com Washington na área de segurança, mas se dispôs a trabalhar com o Congresso americano em relação às denúncias de abusos realizados durante o estado de exceção no país.
Estado de exceção é uma medida temporária que pode ser implementada por governos em situações emergenciais, quando a soberania do Estado ou a defesa de algum território pode estar ameaçada. Com esta medida, o governo pode suspender direitos dos cidadãos temporariamente, em nome do restabelecimento da ordem.
Com informações da Folha











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