O setor petrolífero continua a ser uma das principais portas de entrada para profissionais qualificados em Angola. As empresas precisam de engenheiros petrolíferos, geólogos, gestores de projeto e outros especialistas ligados à energia.
Mas as oportunidades não ficam por aqui. O mundo digital, o setor da construção e as áreas das infraestruturas e telecomunicações revelam-se cada vez mais importantes, de acordo com análises recentes sobre o mercado de trabalho em Angola.
Um dos principais desafios é fazer corresponder a oferta de formação às oportunidades de emprego, aponta o jovem Guilherme Fernando. Porque há muita gente que está ansiosa para começar a trabalhar, num mercado em que o desemprego jovem é bastante alto.
“Esperamos que haja mais oportunidades para que os jovens possam dar o seu contributo ao país. Há muitas oportunidades e poucas qualificações, por isso é preciso abrir mais centros de formação profissional”, defende o jovem.
Romper estereótipos
É preciso também pensar “fora da caixa”, comenta Madalena Kibata. Esta jovem de Luanda propõe que se rompa com os estereótipos no mercado de trabalho: uma mulher pode perfeitamente ser soldadora e fazer carreira na indústria ou na construção civil.
“Gostaria de trabalhar na área de soldadura industrial, porque as meninas estão sendo muito bem aceites neste ramo, diferente de antigamente. Daí a minha ambição”, diz à DW.
É preciso também manter os pés assentes na terra, acrescenta Jossias Vasco. Nem toda a gente pode ser engenheiro e há muitas outras profissões com bons salários. “As melhores áreas são as que as pessoas mais precisam no quotidiano: arranjar telefone, concertar sapatos e roupa”, exemplifica o jovem.
Setores promissores atraem jovens
Há muitos jovens que já estão a enveredar por setores promissores, explica o diretor-geral do Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional, Manuel Mbangui.
“Os jovens estão conseguindo oportunidade de começar o seu próprio negócio no domínio do corte e costura; há um crescimento na área das TIC [Tecnologias da Informação e Comunicação], assim como na mecanização agrícola”, explica.
Essa é outra área identificada como oportunidade de futuro para os jovens em Angola: o agronegócio e a agroindústria. Mas também o setor da logística, impulsionado pelos investimentos no Corredor do Lobito.
O académico Amílcar de Armando recomenda aos jovens que sejam mais proativos, a começar pela formação profissional.
“Já fui algumas formações, mas o curioso é que não são os jovens que lá vão. Quem vai são os de 40 anos, que já têm alguma experiência profissional. É preciso [aumentar o número de formandos]. O nosso país é muito jovem. Por isso, devem aproveitar melhor as oportunidades”, aconselha.









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