Qual é a maka da TAAG com Moçambique?


Esta é realmente a pergunta de um milhão de dólares que vários cidadãos de Angola e de Moçambique fazem todos os dias mas que parece não ter respostas. Parece que é mais fácil discutir o sexo dos anjos do que tentar procurar aqui uma razão para os constantes atrasos e cancelamentos dos voos de Luanda para Maputo e vice- versa. Desta vez aconteceu com a Gueta Selemane Chapo, a primeira- dama de Moçambique que terá ficado mais de uma hora a bordo do voo DT 581 da TAAG, tendo de regressar ao hotel onde se encontrava hospedada, partindo para o seu país horas depois e a bordo de aeronave privada que terá sido agilizada graças aos “bons ofícios” da sua homóloga e anfitriã, a primeira- dama de Angola, Ana Dias Lourenço. A nossa companhia de bandeira terá dado mais uma “bandeira” e é caso para perguntar : qual é a maka da TAAG com Moçambique?

Armindo Laureano

7 de Agosto 2026 às 07:19

Há uns meses recebi uma ligação de uma amiga e juíza moçambicana que tinha partido de Lisboa com um voo da TAAG com destino a Maputo e escala em Luanda. Ela e colegas ficaram “retidos” no nosso aeroporto Dr. António Agostinho Neto várias horas por causa de uma alegada avaria técnica na aeronave. Em Janeiro último, a baronesa Jenny Chapman, então Ministra de Estado para o Desenvolvimento em África do Reino Unido cancelou uma visita a Angola porque a voo da TAAG de Maputo ( onde se encontrava em visita de trabalho) para Luanda foi remarcado por causa de uma avaria técnica. A governante britânica concedeu uma entrevista ao NJ alguns dias antes da sua esperada partida para o nosso país, na qual revelou que tinha já encontros marcados com Vera Daves (ministra das Finanças), Manuel Homem ( Ministro do Interior), com mulheres empresárias e empreendedoras angolanas e outros encontros de cortesia. Falou do financiamento do seu país me 130 milhões de libras para a construção do ora inaugurado Hospital dos Queimados, Presidente Julius Nyerere, do Hospital materno- infantil Azancoth de Menezes, o novo Aeroporto de Cabinda, projectos inseridos no Corredor do Lobito, energias renováveis e infraestruturas, tendo também intenções de convidar pessoalmente o ministro Manuel Homem a participar da Conferência de Segurança Oficial e Policia do Governo do Reino Unido ( que aconteceu em Março) muitas expectativas para abordagens que não aconteceram porque a nossa TAAG “deixou-lhe cair” em Maputo.

“Informa-se que a delegação de Sua Excelência , a Primeira-Dama da República de Moçambique não seguiu viagem no voo DT581, com destino a Maputo, devido à uma avaria técnica registada na aeronave. Em consequência, a delegação deixou o aeroporto a 01h06m e regressou ao Hotel Intercontinental, onde permanecerá até que sejam definidas novas instruções para a sua partida”, lê- se numa informação operacional restrita a que o NJ teve acesso e que é citada na matéria desta edição. A aeronave da TAAG só terá partido de Luanda perto das 4 da manhã de domingo, 02 de Agosto. É que o voo estava inicialmente marcado para o período diurno de sábado, dia 01 de Agosto, foi remarcado para as 22 horas do mesmo dia e “atrasado” para as 23h30. Segundo as nossas fontes, Gueta Chapo foi a última passageira a embarcar e terá chegado perto das 23h45 ( o voo estava atrasado) e permaneceu cerca de uma hora na aeronave até que deixou o Aeroporto Internacional António Agostinho Neto, a caminho do Hotel Intercontinental. Partiu para Maputo horas depois, mas numa aeronave privada e cedida graças aos “bons ofícios” de Ana Dias Lourenço. A TAAG assume que houve “um conjunto de disrupções operacionais” registadas no sábado e domingo, não revelando, numa primeira comunicação, os “detalhes específicos sobre passageiros” por razões de privacidade e de protecção de dados. Mas numa outra comunicação, acaba por assumir um atraso de ordem operacional e que “a primeira- dama de Mocambique e a sua equipa decidiram não seguir viagem” por este motivo, confirmando que seguiram viagem no mesmo dia mas não dizendo se foi na TAAG. Quem acompanhou tudo diz que foi uma situação complicada e constragedora, que houve alguma tensão e reuniões tensas. A nossa companhia de bandeira deu mais uma “bandeira” nesta rota para Maputo. A nossa malta quando não “borra” na entrada acaba por borrar na saída. Todos se queixam, mas a situação não muda. E volto à questão inicial : qual é a maka da TAAG com Moçambique?



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