O Banco Santander S.A., sediado em Madri, informou na quinta-feira (30) que destinaria até 1,9 bilhão de euros (US$ 2,2 bilhões) para adquirir cerca de 10% do capital social do Santander Brasil. A controladora planeja trocar as ações da subsidiária pelas suas próprias, por meio da emissão de novas ações.
Embora a oferta abranja todas as ações em circulação no mercado (“free float”), o Santander afirmou que não pretende retirar a subsidiária brasileira da bolsa e que a oferta é voluntária. No entanto, dependendo dos resultados, essas ações poderão ser retiradas da Bolsa de Valores de Nova York.
Especulações do mercado sobre uma possível oferta surgiram no início do ano passado, à medida que a avaliação das ações da subsidiária brasileira ficou atrás daquela da controladora, em meio a crescentes preocupações com o crédito na maior economia da América Latina. Essa diferença apenas aumentou desde então, com o Banco Santander se tornando o banco mais valioso da Europa continental.
A oferta representa um prêmio de 15% sobre o preço de referência das ações do Santander Brasil, informou a controladora. O banco acrescentou que emitiria ações equivalentes a cerca de 1,1% de seu capital, caso todos os acionistas da unidade participassem da operação.
“Esta transação é mais um passo em nossa estratégia de simplificação do grupo, ao mesmo tempo em que reforça nosso compromisso de longo prazo com o Brasil”, afirmou a presidente do conselho do Santander, Ana Botín, em comunicado. Espera-se também que a oferta contribua para os resultados financeiros, disse ela.
A unidade brasileira está entre as maiores operações do Santander, concentrando mais de um quarto de sua força de trabalho global e liderando em receita no primeiro semestre deste ano. No entanto, a lucratividade caiu nos últimos anos, à medida que as taxas de juros elevadas pesaram sobre o modelo de negócios, que depende do financiamento ao consumidor e de clientes de menor renda.
A queda das ações e a desvalorização do real brasileiro explicam a decisão, além do free float relativamente baixo, disse Fernando Siqueira, chefe de análise da Eleven Financial.
Os acionistas minoritários poderiam ficar em uma situação difícil se o free float fosse reduzido sem que ocorresse o fechamento de capital, disse o analista do Citigroup Inc., Gustavo Schroden, em nota a clientes. “Uma menor liquidez das ações em circulação poderia ampliar descontos, reduzir o interesse institucional e aumentar o risco de futuras operações societárias em condições menos atraentes”, disse ele.











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