Brasil lança plano para abrir mercados a empresas afetadas por tarifas Trump



Segundo dados do Governo brasileiro, cerca de 5.600 empresas brasileiras foram diretamente afetadas pelas novas barreiras comerciais norte-americanas, estando a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) disponível para apoiar até 5.300, distribuídas por 35 setores estratégicos.


Entre as priorides estão o agronegócio, alimentos e bebidas, calçado e couro, máquinas e equipamentos, dispositivos médicos, fármacos, materiais elétricos e eletrónicos, têxteis e confeção, móveis, pescados e pedras, gemas e joias.


O novo Plano de Diversificação de Exportações, com um investimento total de 210 milhões de reais (cerca de 34 milhões de euros), foi detalhado na terça-feira pelo presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, numa reunião com representantes de mais de 30 entidades, em São Paulo.


“Queremos diversificar mercados. Temos 36 mercados prioritários nos quais vamos atuar. E como fazemos isso? Levando oportunidades para que essas empresas possam fechar novos negócios e encontrar novos caminhos”, frisou Müller, acrescentando que a procura de mercados alternativos não significa que vão deixar de trabalhar com os Estados Unidos (EUA).


“Nós não vamos substituir o mercado [norte-]americano, vamos continuar trabalhando nos Estados Unidos, o país é um mercado importante. Mas o nosso foco agora é a diversificação, oferecer apoio e socorro às empresas impactadas para minimizar os riscos”, sublinhou.


A estratégia prevê mais de 300 ações de diversificação de mercados em parceria com entidades setoriais e atendimento direto e individualizado a empresas afetadas pelas tarifas.


Entre as medidas estão reuniões de negócios com compradores internacionais, participação em feiras internacionais, consultoria especializada para entrada em novos mercados e apoio financeiro direto através da chamada Bolsa Exportação.


De acordo com a ApexBrasil, estão disponíveis 2.300 vagas para reuniões de negócios, 1.400 para feiras, 1.200 empresas para consultoria e mil vagas na Bolsa Exportação.


As ações de diversificação serão realizadas na América Latina (85 iniciativas), na Europa (77), na Ásia (46), no Canadá e México (23), em África (16), e no Médio Oriente (11).


Fonte da ApexBrasil adiantou à Lusa que as ações estendem-se até agosto de 2027.


O Brasil registou até julho um excedente na balança comercial de 49 mil milhões de dólares (42,4 mil milhões de euros), um aumento de 31,9% face aos primeiros sete meses do ano passado, apesar da queda de 12,2% das exportações para os EUA.


Washington era o segundo maior parceiro comercial do país até 2025, quando foi ultrapassado pela União Europeia (UE).


As exportações brasileiras aumentaram 10,5% nos primeiros sete meses do ano, para 218,6 mil milhões de dólares (189,1 mil milhões de euros), enquanto as importações cresceram 5,5%, para 169,5 mil milhões de dólares (146,7 mil milhões de euros), segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.


O saldo positivo na balança comercial deve-se principalmente ao aumento de 19,7% das exportações para a China.


As vendas para os EUA têm vindo a diminuir desde maio de 2025, quando o Governo do Presidente norte-americano Donald Trump, impôs uma tarifa adicional de 50% sobre grande parte dos produtos brasileiros, entretanto levantada por decisão judicial.


Washington anunciou, contudo, em julho uma tarifa adicional de 25%, como sanção por alegadas práticas comerciais desleais, e outra de 12,5% por o Brasil alegadamente não combater o trabalho forçado.


De acordo com estudos apresentados pelos empresários brasileiros, e divulgados na imprensa local, as novas sanções afetam entre 7,4 e 11 mil milhões de dólares (entre 6,4 e 9,5 mil milhões de euros) em exportações brasileiras, ou seja, entre 18% e 29% do total das vendas do Brasil para os EUA.


Apesar de o Governo do Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, estar a tentar negociar a suspensão das tarifas, as relações bilaterais enfrentam uma crise diplomática, que culminou em 04 de Agosto, com a revogação do visto da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Viotti.



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