Carry trade: Intervenção no Japão mostra que especulação com iene no Brasil pode perder força – Times Brasil


A dívida galopante do Japão tem ajudado a desvalorizar o iene, o que fez com que o BoJ (Bank of Japan) e o Fed interviessem no câmbio da segunda maior economia da Ásia. A dívida do Japão está em mais de três vezes o seu PIB. Por aqui, o enfraquecimento do iene causa impacto. Os investidores estrangeiros passam a ver como menos lucrativo contrair empréstimos no Japão para alocar no Brasil, o famoso carry trade com iene.

Há décadas que os investidores globais captam dinheiro no Japão, com juro real negativo, para comprar títulos públicos e outros ativos de economias emergentes que oferecem juros estratosféricos, como os do Brasil. Basicamente, a operação consiste em contrair empréstimos a 1% ao ano e deixar o dinheiro rendendo a 15% aa. Grande negócio! E segue sendo. Contudo, com a desvalorização do iene e o aumento do risco fiscal no Japão, há o temor de que haja uma mudança estrutural da política monetária no BoJ a ponto de estremecer o pilar do carry trade.

Ainda assim, o patamar de juro no Brasil segue sendo bom negócio para quem se alavanca em outras economias e usa nossas condições monetárias para lucrar. Bancos de investimentos do exterior têm alertado para uma discreta mudança em um dos eixos do carry trade. A zona do euro tem oferecido juros a 2% e passa a ganhar mais atratividade como ponto de captação. Mesmo a Austrália, cobrando juros superiores a 4%, tem sido uma das possibilidades.

Coreia do Sul também tem mudanças importantes

As mudanças no Oriente não se limitam ao Japão. A Coreia do Sul também tem tomado decisões drásticas que afetavam a alavancagem, ou seja, a possibilidade de investir utilizando dinheiro emprestado.

O governo sul-coreano decidiu recentemente que investimentos alavancados em ações da bolsa local passem a estar limitados a 25% do total investido.

O governo local tenta segurar a alta volatilidade do Kospi, principal índice da bolsa, que chegou a dobrar de tamanho ao longo de 2026, mas desidratou nas últimas semanas, com quedas de mais de dois dígitos em vários pregões, o que causou quase uma dezena de acionamentos do chamado circuit breaker, que paralisa as operações para evitar uma contaminação do índice.

As últimas decisões mostram que nem tudo tem sido tão previsível no outrora tedioso mercado do Pacífico.

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