Família mais rica de Portugal deixa banco no Brasil e amplia aposta em energia e turismo de luxo – Portal IN – Pompeu Vasconcelos


Banco Luso Brasileiro Blb

Ao longo dos últimos 12 anos, a instituição acumulou aproximadamente R$ 350 milhões em lucro líquido

A família Amorim, dona da maior fortuna de Portugal, está redesenhando seu portfólio de negócios. O Grupo Américo Amorim vendeu os 32,8% que ainda detinha no Banco Luso Brasileiro (BLB), com sede em São Paulo, reduzindo sua presença no setor financeiro enquanto mantém a energia entre seus principais ativos e amplia investimentos no mercado de turismo de luxo.

A saída do BLB foi concluída em abril de 2026, dentro de uma reorganização societária aprovada pelo Banco Central do Brasil. A participação de 32,8% foi adquirida pela RC Participações, ligada ao grupo Ruas e Cunha, que passou a controlar 91,55% do capital da instituição financeira.

A operação conclui um processo iniciado anteriormente. Em 2025, o grupo português havia vendido 15,43 pontos percentuais dos 49,23% que possuía no banco ao grupo brasileiro Mônaco, reduzindo sua fatia para os 32,8% agora negociados.

A família Amorim havia entrado no capital do Banco Luso Brasileiro em janeiro de 2012, inicialmente com uma participação de 33%. A RC também ingressou na instituição naquele período com uma fatia equivalente.

Banco soma R$ 350 milhões em lucros em 12 anos

Os primeiros 30 meses da participação dos novos acionistas foram marcados por resultados negativos. Nesse período, o BLB acumulou prejuízos de R$ 106,2 milhões. O cenário mudou nos anos seguintes.

Ao longo dos últimos 12 anos, a instituição acumulou aproximadamente R$ 350 milhões em lucro líquido. Somente no primeiro semestre de 2026, o ganho foi de R$ 10,9 milhões, resultado 56,3% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

Segundo a administração do banco, a retração foi provocada principalmente pelo aumento das provisões para perdas esperadas relacionadas ao risco de crédito e pela ausência de resultados extraordinários registrados no primeiro semestre de 2025.

Apesar da queda do lucro, a carteira de crédito cresceu. O volume chegou a R$ 3 bilhões, avanço de 11,8% sobre o encerramento de 2025. O banco possui ativos de R$ 4,2 bilhões e tem no segmento de transportes um de seus principais mercados.

Com a reorganização societária, a RC Participações passou a deter 91,55% do BLB. A K2CR Holding Financeira, ligada ao grupo Mônaco, ficou com 6,9%, enquanto a família fundadora da instituição permaneceu com pouco mais de 1,5%.

A saída do BLB praticamente conclui a retirada dos Amorim da banca. Ao longo dos anos, o grupo já deixou investimentos em instituições como BPI, BCP, BNC, Popular, BIC e Único. Resta uma participação inferior a 10% no Banco Carregosa, que o grupo tenta vender há anos.

Energia permanece no centro dos negócios

Enquanto reduz a presença financeira, a família preserva uma de suas principais apostas empresariais na energia. A participação na Galp é mantida por meio da Amorim Energia BV.

Paula Amorim, filha mais velha de Américo Amorim, preside o Conselho de Administração da companhia energética desde 2016. Marta Amorim também integra o órgão como administradora não executiva.

Nos últimos anos, um dos ativos que ganharam relevância para a Galp foi o complexo de Mopane, na costa da Namíbia, onde foram realizadas descobertas de petróleo. O projeto também levou a companhia a avançar em negociações para uma parceria com a TotalEnergies na exploração da região.

Outra frente envolve conversas com a espanhola Moeve, antiga Cepsa, para uma eventual combinação dos negócios de refino, distribuição e trading das empresas na Península Ibérica.

Luxo avança de Lisboa à Comporta

O turismo de alto padrão tornou-se outro eixo da estratégia da família. A expansão é conduzida principalmente por Paula Amorim e Miguel Guedes de Sousa por meio da Amorim Luxury, grupo criado em 2005 e com atuação em moda, gastronomia, hotelaria e imóveis.

Entre os negócios do portfólio estão a Fashion Clinic e a marca JNcQUOI. A estratégia agora avança especialmente sobre a hotelaria.

Um dos projetos é o JNcQUOI House, boutique hotel de 17 suítes localizado na Avenida da Liberdade, em Lisboa. O empreendimento, que sofreu um incêndio em junho de 2024, está sendo reconstruído com investimento estimado em € 10 milhões.

A Comporta é outra peça importante da expansão. A região portuguesa receberá um empreendimento que reúne hotelaria, residências, gastronomia, lazer e bem-estar. O projeto JNcQUOI Comporta envolve investimento estimado em € 700 milhões e integra a estratégia de transformar a marca em uma plataforma internacional de hospitalidade de luxo.

A expansão recupera uma relação antiga da família com o setor. O Grupo Amorim atua no turismo desde a década de 1990 e já desenvolveu negócios e parcerias com grandes operadores internacionais.

Com a venda da participação no Banco Luso Brasileiro, a movimentação dos Amorim deixa mais clara a reorganização do patrimônio familiar: menor exposição ao setor financeiro e concentração crescente em ativos de energia e negócios associados ao consumo e ao turismo de alto padrão.





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