Ex-fuzileiro dos EUA detido na Rússia desde 2022 em risco de vida


Robert Gilman, um professor de 32 anos detido desde 2022, está em “estado de estupor dissociativo” há 47 dias, devido a abusos que sofreu na prisão, disse na sexta-feira Eric Lebson, diretor de estratégia da Global Reach, um grupo de ativistas que representa a família. 

Desde terça-feira que Gilman apresenta febre alta e tensão arterial elevada e, segundo Lebson, foi transferido de uma prisão para um hospital civil, onde está ligado a uma sonda de alimentação e algemado à cama. A sua mãe viajou para a Rússia há algumas semanas na tentativa de o ver, mas as autoridades do hospital negaram a visita, adiantou o ativista.

“Estou preocupada de que talvez nunca mais o veja, se os russos não o libertarem. Estou preocupada de que possa morrer”, afirmou em comunicado Lexie Hudson, irmã de Gilman. 

O senador norte-americano Edward Markey apelou a que os governos da Rússia e dos Estados Unidos trabalhem em conjunto para libertar Gilman, um dos pelo menos oito norte-americanos que permanecem sob custódia russa, após uma série de trocas de prisioneiros entre os dois países nos últimos anos.

“Estou muito preocupado de que, se não forem tomadas medidas urgentes para libertar Robert para poder receber tratamento médico urgente nos Estados Unidos, a sua condição possa tornar-se permanente ou possa morrer sob custódia russa”, disse Markey em comunicado. 

“Imploro aos governos dos Estados Unidos e da Rússia que encontrem uma solução antes de nos encontrarmos numa situação que complique ainda mais uma relação já difícil”, adiantou o senador.

Um porta-voz do Departamento de Estado disse estar “profundamente preocupado com a saúde de Robert Gilman e a sua contínua detenção na Rússia”.

“Considerando estas preocupações com a saúde, o governo dos Estados Unidos invocou repetidamente o seu caso junto do governo russo e solicitou a sua libertação por razões humanitárias”, disse o porta-voz em comunicado. “Levamos a sério o nosso compromisso de auxiliar os americanos no estrangeiro e continuaremos a acompanhar de perto o caso” de Gilman, adiantou.

As autoridades russas não se pronunciaram publicamente sobre o caso.

Gilman foi inicialmente condenado a três anos e meio de prisão em 2022, considerado culpado de agredir um polícia após ser retirado de um comboio por alegadamente causar um distúrbio. Foi posteriormente condenado por acusações de agressão um inspetor prisional durante uma inspeção a uma cela, espancamento de um investigador e agressão um guarda, sendo condenado em outubro de 2024 a oito anos e um mês de prisão. 

A sua pena foi alargada para 10 anos no ano passado, após ser considerado culpado de agredir guardas prisionais.

A família de Gilman detalhou que foram feitas contra ele pelas autoridades russas uma “série de acusações vagas e crescentes” e que, na prisão, foi “instigado” a cometer ilegalidades e a aceitar acusações “através de ingestão de drogas, provocações e tortura”.

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