O chefe da diplomacia do Irão acusou os Estados Unidos (EUA) de violar o acordo assinado em junho, que, disse Abbas Araqchi, representava “o fim da guerra, não um cessar-fogo”.
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão declarou na sexta-feira que, segundo o memorando de entendimento assinado em Islamabad, “não há cessar-fogo de 60 dias que necessite de ser prolongado”.
De acordo com a agência de notícias iraniana ISNA, Araqchi sustentou que “ainda não foi tomada qualquer decisão para retomar as negociações” com os EUA, numa altura em que as conversações continuam estagnadas.
O memorando de entendimento alcançado em junho para pôr um fim definitivo ao conflito falhou no início de julho, antes de Donald Trump suspender os ataques no final do mês, condicionando a pausa à rápida conclusão de um acordo.
O termo do prazo de 60 dias estabelecido no memorando assinado a 17 de junho termina na segunda-feira, 17 de agosto.
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O ministro especificou que os países mediadores, Qatar e Paquistão, “estão a trocar mensagens e a manter contacto connosco”. “Os canais que existiam anteriormente já não são eficazes e é necessário estabelecer um novo”, acrescentou.
Araqchí acrescentou que as conversações com Omã sobre a gestão partilhada do estreito de Ormuz “poderão ser concluídas em breve”, embora tenha sublinhado que se trata de “uma discussão completamente separada” das negociações com Washington.
Segundo explicou o diplomata, trata-se de um “trabalho técnico” entre especialistas dos dois países, com a participação das forças armadas, que visa determinar as rotas marítimas do estreito para o tráfego de navios.
Horas antes, o Presidente norte-americano Donald Trump reiterou que os EUA têm o controlo do estreito de Ormuz, o que o Irão rejeita, e invocou mesmo a possibilidade de declarar aquela via estratégica “território dos Estados Unidos”.
“Assim que derrotarmos o Irão (…), em breve declararei o estreito de Ormuz como território dos EUA”, disse Trump, com um ligeiro sorriso, num comício em Garden City, perto de Nova Iorque.
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Na prática, a passagem estratégica para o comércio global de petróleo está bloqueada pelo Irão desde o início da guerra, enquanto os EUA impuseram um bloqueio aos portos iranianos.
Dois navios da companhia petrolífera dos Emirados Árabes Unidos ADNOC foram atacados na noite de quinta-feira quando transitavam pelo estreito de Ormuz, sem causar vítimas, segundo o Governo emirati, que responsabilizou o Irão pelo ataque.
A nova escalada da retórica ocorre à medida que a guerra, desencadeada no final de fevereiro por uma ofensiva lançada pelos EUA e por Israel contra o Irão, se aproxima do sexto mês.
O estreito de Ormuz, por onde passava um quinto do petróleo mundial antes da guerra, continua a ser o ponto de maior tensão.










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