Irão impõe a Trump seis condições para reabrir Estreito de Ormuz


Percebendo as fragilidades do presidente dos Estados Unidos, o regime de Teerão colocou em cima da mesa as condições para a reabertura do Estreito de Ormuz. Mas o presidente dos Estados Unidos já disse que não as aceita. O preço do petróleo fechou em alta.

Tanto o Irão como Omã afirmaram que as negociações sobre um novo acordo para gerirem o tráfego através do estratégico Estreito de Ormuz têm sido “positivas” e estão em estágio avançado, mas ambos sabem que nada será garantido se os Estados Unidos não fizerem a sua parte. O problema (para os Estados Unidos) é que os responsáveis dos dois Estados do Golfo também percebem que o presidente dos Estados Unidos está cada vez mais pressionado pelas eleições intercalares de novembro e pela perspetiva de os democratas conseguirem um grande resultado, tanto no Senado como na Câmara dos Representantes.

Neste contexto, o Irão apresentou aos Estados Unidos um conjunto de seis condições para que o Estreito de Ormuz passe a ser rapidamente navegável. Em comunicado divulgado pela emissora estatal iraniana IRIB, o ex-secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão e atual assessor do Líder Supremo, Mohammad Bagher Zolghadr, disse que os Estados Unidos precisam de “corrigir” o seu comportamento e atender a uma série de exigências.

O Irão exige nunca mais ser ameaçado com qualquer linguagem ou insultos aos valores que considera sagrados. Depois, exige que se acabe de vez com a guerra e a agressão contra o Irão e seus aliados no Líbano, na Palestina, no Iémen e no Iraque.

Querem também que os Estados Unidos levantem o bloqueio naval e retirem as forças (navais e aéreas) estacionadas em torno do território iraniano. Nos termos do memorando de entendimento de junho, os Estados Unidos deveriam ter encerrado o bloqueio em 30 dias, mesmo que isso não estivesse diretamente vinculado à reabertura do estreito.

O Irão quer ainda que lhe seja paga uma indemnização integral pelos danos causados pela guerra. E, evidentemente, quer também o levantamento das sanções “cruéis e ilegais” contra a nação iraniana – no quadro de um cronograma que era esperado como parte das negociações para um acordo final. Finalmente, o Irão exige ainda a libertação incondicional dos bens congelados e apreendidos aos iranianos.

Estas seis condições ampliam os termos que o Irão agora afirma serem necessários para que o estreito possa ser reaberto. Alguns analistas afirmam que a imposição de condições, quaisquer que elas sejam, é só por si uma demonstração da força que o Irão confia ter. Mas outros dizem que as seis condições não têm nenhuma novidade e que todas elas constavam do memorando de entendimento que chegou a ser assinado pelas duas partes. Ou seja, de algum modo, a imposição das seis medidas seria uma forma de fazer regressar as duas partes aos termos do acordo inicial – o que pode constituir uma forma de Trump se desvincular da guerra de forma suficientemente airosa para, dentro de menos de três meses, poder explicar aos norte-americanos que atacou, dominou e venceu os iranianos. Dificilmente os livros de história – pelo menos os que não forem escritos nos Estados Unidos – vão trazer essa versão dos acontecimentos, mas o presidente dos Estados Unidos já demonstrou diversas vezes que isso não é, para ele, um problema.

Mesmo assim, o presidente dos Estados Unidos já teve oportunidade de rejeitar a proposta iraniana. Trump recusou categoricamente as exigências de Teerão para a reabertura do Estreito de Ormuz e contra-atacou com novas cobranças. Além disso recusou pagar qualquer indemnização pelos danos do conflito, e inverteu mesmo a exigência: é o Irão, afirmou, que tem de pagar indemnizações aos Estados Unidos pelas vítimas de bombas e pela repressão interna. Trump afirmou que Teerão tem a “última oportunidade” para assinar um acordo, ameaçando com a manutenção do bloqueio naval total. E com uma futura punição exemplar.

 

Petróleo com resposta negativa

A evolução do preço do petróleo ao longo do dia foi manifestamente negativa. O preço do petróleo brent registou uma forte subida no dia, fixando-se na casa dos 85 a 86 dólares por barril. A cotação inverteu a tendência de queda da semana anterior devido ao aumento das tensões geopolíticas e às crescentes dúvidas sobre um acordo diplomático imediato entre os Estados Unidos e o Irão – tendo apreciado cerca de 3%. Ao final da tarde, as cotações pioraram ainda mais – na ótica do utilizador final – para ultrapassarem a barreira dos 87 dólares.





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