Jared Kushner esteve com líderes do Hamas no Egipto e estará esta segunda-feira com Benjamin Netanyahu em Israel. Entretanto, o ministro Ben-Gvir quer que a aviação israelita lance ‘raids’ noturnos sobre Gaza, que matem entre 30 a 50 pessoas por noite.
FILE PHOTO – U.S. President Donald Trump and his senior advisor Jared Kushner arrive for a meeting with manufacturing CEOs at the White House in Washington, DC, U.S. February 23, 2017. REUTERS/Kevin Lamarque/File Photo
Um dos enviados especiais do presidente norte-americano Donald Trump, o seu familiar Jared Kushner, reuniu este domingo, 16 de agosto, com líderes do Hamas no Egipto para pressionar o movimento a cumprir o compromisso de desarmamento. Foi o primeiro encontro de Kushner com líderes do Hamas desde a assinatura do acordo para pôr fim à guerra em Gaza, em outubro passado, refere o jornal norte-americano ‘Axios’. O encontro ocorreu num momento em que a Casa Branca e o Conselho de Paz de Trump pressionam tanto o Hamas como Israel a avançarem para a próxima fase do plano de paz de 20 pontos proposto pelos Estados Unidos.
Mas o acordo é cada vez mais difícil: para além de o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não aceitar avançar enquanto o Hamas não estiver de facto desarmado – numa verificação que tem todos os ingredientes para ser na prática impossível – o seu ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, produziu um vídeo em que apela a assassinatos noturnos em Gaza de pessoas que, segundo disse, “não merecem viver”.
Um bandido à solta
Numa entrevista gravada em formato de podcast, Itamar Ben-Gvir defendeu que Israel deveria realizar ataques aéreos noturnos em Gaza para eliminar entre “30 a 50 pessoas por noite”. Na mesma gravação, o ministro afirmou que “há pessoas ali que não são seres humanos” e que “não deveriam viver”, defendendo abertamente que os alvos em Gaza sejam “mortos um por um”. Algures antes ou depois disso, verdadeiramente a linha do tempo interessa pouco, o ministro divulgou um vídeo onde afirmou de forma categórica que os prisioneiros palestinianos detidos “deveriam levar um tiro na cabeça” em vez de serem mantidos vivos. No mesmo vídeo, Ben-Gvir fez pressão pública para que o parlamento israelita (o Knesset) aprove em definitivo a lei da pena de morte para reclusos acusados de terrorismo.
Ben-Gvir tem utilizado as redes sociais com frequência para publicar vídeos gravados no interior de estabelecimentos prisionais israelitas, nos quais adota uma postura de provocação direta contra os detidos. Num deles, divulgou imagens a confrontar líderes palestinianos detidos, como Marwan Barghouti, afirmando diante das câmaras: “quem magoar o povo de Israel, nós vamos exterminá-los”. Noutro vídeo publicado pelo próprio ministério, segundo avança uma ONG, Ben-Gvir surge a gozar com reclusas que se queixavam da falta de alimentos e água: “isto não são hotéis”, tendo dito que as condições da prisão foram intencionalmente agravadas sob sua pressão.
Kushner em Israel
ushner em IsraelKushner deverá visitar Israel esta segunda-feira e encontrar-se com Netanyahu para discutir as “medidas correspondentes” que Israel deve tomar. Nickolay Mladenov, alto representante do Conselho da Paz, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, que também é membro do conselho, deverão acompanhar Kushner.
O Conselho da Paz quer que o Hamas comece a desativar armas e infraestruturas militares, permita o destacamento da Força Internacional de Estabilização e facilite a recuperação e reconstrução de Gaza sem intimidação dos palestinianos envolvidos nesse esforço. O conselho também quer que Israel realize “retiradas correspondentes” em Gaza caso o Hamas cumpra a sua parte e que acelere o envio de ajuda humanitária ao enclave.










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