Os Estados Unidos e o Japão avançaram com uma intervenção conjunta nos mercados cambiais para travar a queda do iene, comprando a moeda japonesa numa operação coordenada entre os dois governos. Foi a primeira vez desde 1998 que Washington atuou diretamente no mercado para valorizar o iene. A intervenção aconteceu depois da divisa japonesa ter atingido, na semana passada, o valor mais baixo face ao dólar em quatro décadas. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, confirmou a operação e deixou o aviso de que Washington não hesitará em voltar a intervir.
A fraqueza do iene resulta de vários fatores: a elevada dívida pública do Japão (estima-se que seja 188% do PIB), as taxas de juro muito baixas do país face às dos EUA (obrigações a 10 anos com yield de 2,81% vs 4,63% das norte-americanas, para a mesma maturidade) e o aumento do custo das importações de energia. Com juros mais reduzidos, torna-se atrativo pedir ienes emprestados para investir em ativos em dólares, o que alimenta a desvalorização da moeda japonesa.
Do lado norte-americano, o interesse está no facto do Japão ser o maior detentor estrangeiro de dívida pública dos EUA e receava-se que fossem obrigados a vender esses títulos para sustentar a sua moeda através da compra de ienes. Uma venda em massa das obrigações norte-americanas faria subir os juros da dívida, que já tinham chegado aos 5,27% nas obrigações a 30 anos, o valor mais alto desde a crise financeira de 2007.
Ainda que pareça um tema distante, a instabilidade do iene pode desencadear um efeito dominó que acaba por chegar ao bolso de todos. Juros mais altos da dívida tendem a penalizar as bolsas, sobretudo as empresas tecnológicas de crescimento acelerado. O problema também tem contornos regionais porque um iene demasiado fraco pode pressionar outros países asiáticos a desvalorizar as suas moedas.
Contudo, a recuperação do iene, pós-intervenção, pode ser passageira. Uma valorização mais duradoura exigiria que o Japão reduzisse a dívida pública e que o seu banco central subisse as taxas de juro de forma mais agressiva. Bessent admitiu que a intervenção só trava a volatilidade no curto prazo e que é a política económica que define o rumo da moeda. Para já, Washington mostra-se disponível para voltar a agir, mas o futuro do iene dependerá sobretudo das decisões tomadas em Tóquio.
Porque é que os EUA compraram ienes pela primeira vez desde 1998? was last modified: Agosto 6th, 2026 by










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