Segundo o presidente norte-americano, “as empresas de defesa estão a construir o maior número de fábricas e instalações da história do nosso país. Os responsáveis por estas fugas de informação de declarações traiçoeiras estão a ser caçados. Serão pedidas longas penas de prisão”
Trump e o Pentágono enfrentam crescentes interrogações sobre o estado do arsenal militar, com a guerra com o Irão já no sexto mês e um acordo de paz ainda distante.Depois de os EUA terem gasto vastas quantidades de armas de difícil fabrico durante a operação de combate conhecida como Operação Fúria Épica e os subsequentes ataques de retaliação, a administração Trump procurou assegurar aos americanos que os stocks de mísseis do país se mantêm robustos.
Segundo Trump, existem amplas reservas de armas menos potentes e os fabricantes norte-americanos estão a aumentar a produção de mísseis Tomahawk de longo alcance e de projéteis para os sistemas de defesa aérea Patriot.
“Temos certos tipos de munições que podem não ser tão precisas”, explicou Trump aos jornalistas, que, manteve a posição de que os Estados Unidos estão numa “excelente posição”.
“Desentendimento” com Pete HegsethEntretanto, o Washington Post noticiou na noite de quarta-feira que Trump confrontou o Secretário da Defesa, Pete Hegseth, na semana passada, sobre uma possível escassez de armas, citando também fontes não identificadas.
Numa publicação posterior, Donald Trump frisou que está “extremamente satisfeito” com o Secretário da Defesa e acusa o jornal de ser “um dos piores órgãos de comunicação social do ramo”.
“As notícias falsas, como é habitual, estão a espalhar rumores falsos e completamente infundados. Estou extremamente satisfeito com o trabalho que Pete Hegseth está a fazer. Tudo tem sido extraordinário, incluindo o nosso ataque à Venezuela, onde o resultado foi alcançado em menos de um dia, permitindo-nos levar à justiça um dos piores criminosos do mundo, Nicolás Maduro. Da mesma forma, o Irão, onde o país foi dizimado com o propósito de NÃO PERMITIR QUE NUNCA POSSUA UMA ARMA NUCLEAR, está a sair-se muito bem!”.
Segundo o presidente norte-americano, “Pete é muito respeitado dentro das Forças Armadas e fez melhorias tremendas, incluindo a eliminação da DEI e o aumento do recrutamento para níveis históricos. Este rumor foi iniciado pelo Washington Post, um dos piores órgãos de comunicação social do ramo, apesar de lhes termos dito que a história é completamente FALSA. Na verdade, acredito que a ‘reportagem’ falsa deles é traição”.
O Irão respondeu às notícias sobre a redução dos stocks dos EUA afirmando que as suas armas produzidas localmente lhe conferem a capacidade de responder a “qualquer ameaça”.
“A cada dia, os sinais da diminuição das capacidades do inimigo tornam-se mais evidentes”, publicou o ministro da Defesa, Majid Ibn-e-Reza, nas redes sociais. “Mas as nossas Forças Armadas – apoiadas pela indústria de defesa do país – estão totalmente equipadas para responder a qualquer ameaça”. Acrescentou que “aqueles que agora procuram comprar segurança e superioridade militar através de sistemas importados, em breve perceberão que a tecnologia autóctone do Irão é superior a qualquer sistema na região”.EUA estão a trabalhar para fabricar mais armasAs informações precisas sobre o stock de mísseis dos EUA permanecem classificadas. Desde que assumiu o cargo de secretário, Hegseth tem procurado implementar controlos rigorosos que limitem a informação que os repórteres podem obter do Pentágono.
Recorrendo a dados publicamente disponíveis, o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), um think tank de segurança nacional, estimou que, no final de julho, os EUA tinham entre 759 e 827 mísseis Patriot restantes — cerca de um terço dos 2.330 disponíveis antes do início do conflito.
O relatório estima ainda que os EUA já tenham utilizado cerca de 60 por cento dos mísseis THAAD (Terminal High Altitude Area Defense), que são destacados para intercetar ataques, afirmou na quarta-feira Mark Cancian, coronel da Marinha na reserva e consultor sénior do CSIS.Os EUA enfrentam uma procura pelas suas armas que vai para além do conflito com o Irão, o que também pode pressionar os stocks.
Desde a invasão russa em 2022, os EUA forneceram um número significativo de mísseis Patriot à Ucrânia, mas, com a redução dos stocks americanos, Cancian prevê que o Pentágono os mantenha em reserva.
Numa reunião de gabinete na passada semana, Trump disse aos jornalistas que atender ao recente pedido da Ucrânia por mísseis Patriot adicionais seria um “grande passo”, mas que os dois países “ainda estavam a falar” sobre o assunto.
Muitas armas modernas têm longos prazos de financiamento, encomenda, produção e entrega, o que dificulta a rápida reposição das munições após a sua utilização.
O governo tem afirmado consistentemente que os EUA têm stocks suficientes.
“Temos muito mais munições do que qualquer outro país no mundo, e muito mais do que precisamos“, afirmou Trump disse ao Wall Street Journal no mês passado.
Entretanto, Hegseth classificou os relatos de escassez de stock como uma “história inventada” numa participação no programa Face the Nation, da CBS, a 14 de junho.
Mas o governo também indicou que está a aumentar a produção, com Hegseth a afirmar que os EUA estavam a trabalhar rapidamente para fabricar mais armas.
No mês passado, solicitou ao Senado dos EUA fundos de emergência no total de 87 mil milhões de dólares (mais de 75 mil milhões de euros) para pagar aos militares e “reabastecer rapidamente equipamento e munições”.
c/Agências









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