Secretário dos EUA pede que países latino-americanos deixem Tribunal Penal Internacional | Mundo


O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, pediu nesta quarta-feira (12) que países latino-americanos abandonem o Tribunal Penal Internacional (TPI), durante discurso no Panamá, onde participou do Fórum da Coalizão das Américas contra Cartéis, conhecido como “Escudo para as Américas”.

Durante o encontro em um hotel na Cidade do Panamá, Hegseth criticou o tribunal e incentivou os aliados da coalizão a se retirarem da organização. A declaração ocorre em meio a críticas internacionais às operações militares americanas contra embarcações suspeitas de transportar drogas no Caribe, que, segundo os EUA, já mataram mais de 200 pessoas desde setembro do ano passado.

Hegseth também defendeu uma versão reformulada da Doutrina Monroe, política do século 19 que estabelecia a primazia dos EUA no Hemisfério Ocidental e que críticos associam a décadas de intervenções americanas na região. Ele chamou a nova versão de “Doutrina Donroe”, um trocadilho com o nome de Donald Trump.

“Nós vamos defender nosso hemisfério contra ameaças externas, incluindo narcotraficantes ou influência estrangeira”, afirmou Hegseth.

Durante a reunião no Panamá, Hegseth também deu boas-vindas à Colômbia na coalizão militar liderada pelos EUA. Antes de se reunir com o novo ministro da Defesa colombiano, Jorge Eduardo Mora, um major-general reformado, Hegseth afirmou que o governo de Bogotá havia autorizado “operações militares conjuntas para destruir terroristas e redes terroristas”.

A adesão ocorre poucos dias após a posse do presidente colombiano Abelardo De La Espriella, conservador que prometeu endurecer o combate a grupos armados e ao narcotráfico. Na última sexta-feira (7), o governo Trump anunciou planos de fornecer US$ 1 bilhão em assistência de segurança à Colômbia.

A eleição de Espriella fez parte de uma guinada à direita que vem se espalhando pela América Latina. No Peru, na Argentina, no Chile, no Equador, na Bolívia e no Panamá, economias frágeis e o aumento da criminalidade reformularam as prioridades dos eleitores, permitindo que candidatos da extrema-direita ganhassem espaço ao prometer endurecer o combate à criminalidade em meio a uma ascensão global do nacionalismo de direita.

No Panamá, o governo Trump obteve uma importante vitória na Suprema Corte do país, em janeiro, depois de manifestar preocupação com o avanço da influência da China. A CK Hutchison, empresa sediada em Hong Kong, perdeu, por meio de sua subsidiária local, a Panama Ports Company, as concessões portuárias que detinha havia quase três décadas.

O Canal do Panamá responde por 5% do comércio marítimo global, o que faz do controle de seus portos um ponto de tensão geopolítica entre Washington e Pequim.

Ao discursar na reunião, o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, chamou o tráfico de drogas de “maior ameaça” enfrentada pela região e rejeitou as preocupações de que a coalizão liderada pelos EUA pudesse violar a soberania de seus integrantes.

Ele não fez menção à China. Em vez disso, afirmou que os grupos criminosos transnacionais envolvidos no tráfico de drogas e de pessoas são as verdadeiras ameaças à soberania. “Não haverá uma paz sustentável se esse inimigo avançar”, disse Mulino.



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