
Após uma semana de forte desempenho e com o S&P 500 tendo registrado novo recorde de fechamento na sexta-feira, a sessão desta segunda-feira (10/08) foi marcada pela falta de direção na bolsa de valores norte-americana. Os principais índices oscilaram próximos da estabilidade durante boa parte do pregão, antes de encerrarem em leve queda. O Dow Jones recuou 60,95 pontos, baixa de 0,1%, enquanto o Nasdaq Composite caiu 85,26 pontos, ou 0,3%. Já o S&P 500 teve baixa de 4,53 pontos, equivalente a 0,1%. O comportamento mais cauteloso refletiu, principalmente, a tentativa dos investidores de avaliar se a força recente dos mercados ainda tem espaço para avançar, enquanto o calendário econômico dos Estados Unidos ganha importância. Os dados de inflação ao consumidor e ao produtor, previstos para quarta-feira e quinta-feira, respectivamente, podem mexer diretamente com as expectativas para os juros e, consequentemente, com a precificação dos ativos de risco.
O pregão desta segunda-feira (10/08) foi influenciado por uma combinação de cautela com a inflação, expectativas para a política monetária e tensão geopolítica. Depois do relatório de emprego da última sexta-feira, que mostrou uma queda inesperada no emprego nos Estados Unidos, os próximos números de inflação passaram a ser ainda mais importantes para definir as perspectivas sobre as taxas de juros. A expectativa mencionada no material é de uma leve redução tanto no índice geral quanto no núcleo do índice de preços ao consumidor, cenário que poderia permitir ao Federal Reserve manter uma postura paciente. A analista Daniela Hathorn, da Capital.com, avaliou que uma inflação mais moderada poderia manter a pressão de baixa sobre os rendimentos dos títulos do Tesouro e favorecer ativos de risco. No campo geopolítico, as atenções permaneceram voltadas ao Oriente Médio, especialmente ao Estreito de Ormuz. Embora houvesse expectativa de um possível acordo envolvendo Irã e Omã, Teerã sinalizou resistência a negociações com os Estados Unidos e afirmou que não reabrirá o estreito sem o atendimento de determinadas condições. A perspectiva de continuidade das restrições ao importante corredor energético provocou forte alta do petróleo bruto, adicionando pressão sobre empresas dependentes de combustível, especialmente companhias aéreas, ao mesmo tempo em que favoreceu o setor de energia. No cenário internacional, o Shanghai Composite avançou 0,7%, segundo o material, enquanto o Nikkei 225 subiu 2,1%. A relação entre Estados Unidos e China não aparece com novos acontecimentos específicos no conteúdo fornecido nesta segunda-feira, assim como não há novas declarações de Donald Trump ou de integrantes do Federal Reserve além das informações relacionadas às perspectivas de juros mencionadas no material.
No mapa setorial, a forte valorização do petróleo colocou as empresas de energia entre os principais destaques positivos da sessão. Os contratos futuros de petróleo bruto dos Estados Unidos avançaram quase 5%, impulsionando o Índice de Serviços Petrolíferos da Filadélfia em 5,8% e o Índice de Petróleo da NYSE Arca em 5,3%. O movimento favoreceu empresas ligadas à exploração, produção e serviços para a indústria de petróleo, em um ambiente de maior percepção de risco no mercado de energia devido às incertezas envolvendo o Estreito de Ormuz. As ações de software também apresentaram desempenho relativamente forte, com o Índice de Software dos Estados Unidos do Dow Jones subindo 1,9%, refletindo a resiliência de companhias ligadas a programas, serviços digitais e tecnologia. No lado negativo, as companhias aéreas sofreram forte pressão, acompanhando a disparada do petróleo: o Índice de Companhias Aéreas da NYSE Arca despencou 4,4%, em um movimento que aumenta a preocupação com custos de combustível e margens operacionais do setor. As empresas de semicondutores também ficaram entre os destaques negativos, levando o Índice de Semicondutores da Filadélfia a uma queda de 2,9%.
O mercado de títulos públicos dos Estados Unidos apresentou uma sessão de realização após os Treasuries terem encerrado a sexta-feira (07/08) com leve alta. Com a queda dos preços dos títulos, o rendimento do Treasury de referência de dez anos avançou 3,9 pontos-base, para 4,699%, lembrando a relação inversa entre preço e rendimento. O movimento ocorreu em um ambiente no qual o mercado tenta calibrar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve diante da surpresa negativa no mercado de trabalho e da proximidade dos dados de inflação ao consumidor e ao produtor. A sinalização destacada no material é de que uma inflação mais comportada poderia permitir ao Fed manter a paciência, favorecendo uma pressão de baixa sobre os rendimentos dos títulos. Ao mesmo tempo, a tensão envolvendo o Estreito de Ormuz e a resistência do Irã às negociações com os Estados Unidos adicionaram um componente de risco geopolítico ao cenário, especialmente por seus impactos potenciais sobre os preços de energia e sobre a inflação.
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