CEO da VW quer que Europa puna com taxas os PHEV chineses – Observador


Depois de fazerem lobbying contra um maior incremento de tarifas aos veículos eléctricos fabricados na China, os construtores alemães parecem agora muito nervosos, quase desesperados, pressionando a União Europeia para que esta aumente “imediatamente” as taxas a aplicar aos veículos chineses com mecânicas híbridas plug-in (PHEV), igualmente com baterias recarregáveis. Tudo porque este tipo de veículos, ao estarem isentos de taxas adicionais — suportam apenas 10% de taxa alfandegária à entrada dos países da União, como qualquer outro produto — têm óbvias vantagens face aos eléctricos que, além da taxa regular de 10%, são visados por um imposto específico (entre 7,8% e 35,3%), destinado a compensar os subsídios considerados ilegais pela Organização Mundial do Comércio e pela União Europeia.

O primeiro a falar contra a actual situação foi Oliver Blume, o CEO do Grupo Volkswagen que, até aqui, tinha no VW Tiguan o PHEV mais vendido na Alemanha e o 2.º do ranking na Europa. Ora, para surpresa dos construtores alemães — todos eles a depender fortemente dos PHEV —, na primeira metade de 2026, o top 3 de vendas de PHEV na Europa foi totalmente ocupado por modelos chineses, com o BYD Seal U DM-i a liderar, seguido do BYD Atto 2 e pelo Jaecoo 7, relegando assim o Tiguan para a 4.ª posição e empurrando também para baixo os híbridos plug-in das restantes marcas do Grupo VW, bem como da BMW e da Mercedes.

Volkswagen pondera cortar 100 mil postos de trabalho e encerrar quatro fábricas na Alemanha

Recorde-se que Blume e os seus homólogos à frente do grupo BMW e da Mercedes pressionaram a União Europeia para não aplicar impostos mais pesados aos eléctricos vindos da China — como os 102,5% exigidos à entrada dos EUA —, mas agora defendem precisamente o oposto em relação aos PHEV, incitando ao agravamento das tarifas que sobre eles incidem. E rapidamente, pois cada híbrido com bateria recarregável chinês vendido na Europa (ou na Alemanha, de longe o maior mercado europeu) é menos um que as marcas germânicas facturam. O CEO da VW afirmou mesmo que “não temos tempo a perder”.

Blume admite que “os impostos aplicados aos eléctricos produzidos na China”, mesmo os de marcas europeias ou norte-americanas, “restabeleceram a competitividade no sector”, mas entende que os PHEV têm uma vantagem significativa ao não pagarem o mesmo nível de impostos para compensar as ajudas ilegais do Estado, o que lhes permitiu conquistar uma fatia de 28,3% do mercado europeu de PHEV, na primeira metade do ano, segundo a Dataforce.

Zwickau, a primeira fábrica que o Grupo VW transformou para a produção de veículos eléctricos, é uma das que vai encerrar, juntamente com a de Emden, Hanôver e Neckarsulm

Para se ter uma ideia do impacto das penalizações aplicadas aos eléctricos chineses, basta recordar que, em 2024, representavam já 22% dos carros vendidos exclusivamente a bateria, ao passo que, nos primeiros seis meses de 2026, esse valor caiu para 17%. Isto apesar de a concorrência chinesa se estar a robustecer na Europa, com cada vez mais marcas e modelos. Blume chama a atenção para o facto de a China, a braços com excesso de capacidade de produção (pode fabricar quase 50 milhões de veículos, mas o mercado interno deverá adquirir somente 22 milhões em 2026), depender muito da exportação para escoar os seus veículos.

Enquanto admite “importar para a Europa veículos VW fabricados na China, se isso for comercialmente viável”, o CEO da VW garantiu que não permitirá que os construtores chineses, para evitarem pagar taxas à importação, utilizem as quatro fábricas que pretende encerrar na Alemanha, despedindo no processo mais de 100.000 empregados. Blume critica, assim, construtores como a Stellantis e Ford que aceitaram ceder parte da sua capacidade fabril europeia a marcas chinesas.





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