A Caixa Geral de Depósitos (CGD) vai participar em dois projetos-piloto de moedas digitais: um na União Europeia (UE), no âmbito do euro digital, e outro em Macau (China), através da pataca digital.
O banco público foi selecionado pelo Banco Central Europeu (BCE) para participar no projeto-piloto do euro digital, que terá início no segundo semestre de 2027. Paralelamente, participará, a convite das autoridades chinesas de Macau, no projeto da pataca digital através do Banco Nacional Ultramarino (BNU), instituição do Grupo CGD e um dos dois bancos emissores da pataca em Macau desde 1902.
A informação foi avançada pelo CEO da CGD, Paulo Moita de Macedo, durante a apresentação dos resultados do primeiro semestre do banco público, que registou um lucro de 913 milhões de euros.
“Estamos no euro digital por convicção, não pelo negócio que pode trazer para a CGD”, afirmou Paulo Moita de Macedo, acrescentando que a instituição acredita no projeto e está a desenvolver os trabalhos preparatórios para a eventual introdução da moeda única digital.
Entretanto, o Governo de Macau confirmou que o protótipo da pataca digital deverá ser apresentado ao público até ao final deste ano. A iniciativa está a ser desenvolvida pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM), em cooperação com o Instituto de Investigação da Moeda Digital do Banco Popular da China.
Segundo a AMCM, 11 bancos locais foram autorizados a participar no projeto, entre os quais o BNU. A plataforma permitirá a liquidação quase em tempo real entre diferentes jurisdições, tendo como objetivo reduzir a dependência do dólar norte-americano nas operações internacionais.
Entre as funcionalidades previstas para a pataca digital incluem-se os pagamentos através de carteiras digitais, a integração com o sistema bancário e a possibilidade de utilização em pagamentos do dia a dia.
A AMCM anunciou que a primeira fase de desenvolvimento foi concluída no final de 2025 e que a infraestrutura tecnológica entrou na fase de testes iniciais. Nesta etapa estão a ser avaliadas a segurança informática, a estabilidade da plataforma, a interoperabilidade com os sistemas de pagamentos existentes e diferentes cenários de utilização em serviços públicos, transportes e estabelecimentos de ensino.
Macau aderiu igualmente ao projeto mBridge, uma plataforma internacional de pagamentos transfronteiriços baseada em moedas digitais de bancos centrais (CBDC). A iniciativa pretende permitir que os bancos comerciais realizem pagamentos internacionais diretamente em moeda de banco central, sem recorrer ao tradicional sistema de bancos correspondentes. O projeto utiliza tecnologia de registo distribuído (DLT) para permitir a liquidação em tempo real e operações cambiais entre diferentes moedas digitais emitidas por bancos centrais.
Recorde-se que o BNU foi integrado no Grupo CGD em 2001. No entanto, a operação em Macau foi preservada como uma sociedade autónoma, integralmente detida pela Caixa Geral de Depósitos, mantendo a designação Banco Nacional Ultramarino, S.A., precisamente devido às suas funções especiais enquanto banco emissor.
Atualmente, o BNU continua a ser um dos dois bancos emissores oficiais da pataca, juntamente com o Bank of China. As notas emitidas pelo BNU distinguem-se pelo seu design de inspiração luso-macaense, enquanto as do Bank of China apresentam uma identidade gráfica distinta. Contudo, ambas são moeda oficial, circulam simultaneamente e têm igual poder liberatório em todo o território.









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