Portugal tem um salário mínimo bruto mensal de 1.073 euros em julho de 2026, colocando-se no grupo intermédio dos países europeus analisados pela Eurostat. Quando a comparação deixa de ser feita apenas pelo valor nominal e passa a considerar o poder de compra, o retrato muda: o salário mínimo português corresponde a 1.240 PPS.
Os dados mostram como as diferenças salariais entre países europeus podem parecer muito maiores quando são comparados apenas os valores em euros. O recurso aos padrões de poder de compra permite aproximar a análise daquilo que os trabalhadores conseguem efetivamente comprar em cada país.
De acordo com a Euronews, apenas oito dos 29 países analisados aumentaram o salário mínimo bruto entre janeiro e julho de 2026, numa altura em que a inflação acumulada na zona euro durante o mesmo período atingiu 3,2%.
Portugal entre os países acima dos 1.000 euros
Com um salário mínimo mensal bruto de 1.073 euros, Portugal surge no mesmo valor da Grécia e acima da Croácia, onde o mínimo é de 1.050 euros.
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No grupo entre 1.000 e 2.000 euros encontram-se também Eslovénia, com 1.482 euros, Espanha, com 1.425 euros, Lituânia, com 1.153 euros, Polónia, com 1.119 euros, e Chipre, com 1.088 euros.
A diferença para o topo europeu continua, contudo, a ser significativa.
O Luxemburgo apresenta o salário mínimo bruto mais elevado entre os países analisados, com 2.771 euros mensais. Seguem-se Irlanda, com 2.391 euros, Alemanha, com 2.343 euros, Países Baixos, com 2.338 euros, e Bélgica, com 2.234 euros.
França fica imediatamente abaixo deste grupo, com 1.867 euros.
Poder de compra reduz diferenças entre países
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A hierarquia altera-se quando os salários são convertidos em padrões de poder de compra, uma unidade artificial que procura refletir as diferenças no custo de bens e serviços entre países.
Em teoria, um PPS permite comprar a mesma quantidade de bens e serviços independentemente do país considerado.
Segundo a Euronews, os salários mínimos variam entre 705 PPS na Albânia e 2.164 PPS na Alemanha.
Portugal surge com 1.240 PPS, acima do valor nominal de 1.073 euros, refletindo o efeito da diferença no nível de preços.
No topo encontram-se Alemanha, com 2.164 PPS, Luxemburgo, com 2.108, Países Baixos, com 2.023, Bélgica, com 1.922, e Irlanda, com 1.756.
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França, Eslovénia, Espanha e Polónia ultrapassam igualmente os 1.500 PPS.
Ranking muda significativamente com custo de vida
A comparação entre salários nominais e poder de compra provoca alterações relevantes na posição de vários países.
Roménia e Macedónia do Norte são os casos que mais sobem: ambas avançam oito lugares quando é considerado o poder de compra. A Roménia passa da 20.ª para a 12.ª posição, enquanto a Macedónia do Norte sobe da 24.ª para a 16.ª.
A Sérvia ganha cinco posições e Croácia e Bulgária sobem três lugares.
No sentido contrário, a Estónia é o país que mais cai, passando da 16.ª para a 26.ª posição. Letónia, Chéquia e Chipre perdem quatro lugares.
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Os dados mostram ainda que alguns países candidatos à União Europeia superam vários Estados-membros quando o salário é avaliado em função do poder de compra. A Macedónia do Norte, com 1.142 PPS, e a Sérvia, com 1.094 PPS, ultrapassam sete países da União Europeia.
Mais de metade dos países fica abaixo dos 1.000 euros
Em termos nominais, 15 dos países analisados apresentam salários mínimos inferiores a 1.000 euros por mês.
Sete pertencem ao grupo de países candidatos à União Europeia.
A Ucrânia apresenta o valor mais baixo, com 169 euros, seguida da Moldávia, com 313 euros.
Dentro da União Europeia, a Bulgária tem o salário mínimo nominal mais baixo, de 620 euros.
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Turquia, com 621 euros, Macedónia do Norte, com 624 euros, Montenegro, com 670 euros, e Sérvia, com 743 euros, são países candidatos que já apresentam valores superiores ao mínimo búlgaro.
Mais perto da fasquia dos 1.000 euros encontram-se Malta, com 994 euros, Estónia, com 946 euros, Chéquia, com 923 euros, Eslováquia, com 915 euros, e Hungria, com 906 euros.
Só oito países aumentaram o salário mínimo desde janeiro
Entre janeiro e julho de 2026, apenas oito dos 29 países registaram aumentos do salário mínimo nas respetivas moedas nacionais.
A maior subida ocorreu na Macedónia do Norte, com 6,9%, seguida da Roménia e Estónia, ambas com 6,8%. A Bélgica aumentou 5,8%, a Grécia 4,5%, o Luxemburgo 2,5%, França 2,4% e os Países Baixos 1,9%.
Nos restantes países, incluindo Portugal, o valor permaneceu inalterado durante este período.
Esta estabilidade ganha particular importância num contexto de subida dos preços. A inflação acumulada na zona euro entre janeiro e julho foi estimada em 3,2%, chegando a 8,2% em Malta, 5,4% em Chipre e 4,7% nos Países Baixos.
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Quando os salários mínimos não acompanham o aumento dos preços, os trabalhadores podem perder poder de compra mesmo sem existir qualquer redução nominal da remuneração.
Inflação penaliza particularmente trabalhadores na Turquia
A Turquia destaca-se pelo impacto da inflação sobre quem recebe o salário mínimo.
Entre dezembro de 2025 e junho de 2026, os preços aumentaram 17,8% no país. Como o salário mínimo passou a ser atualizado apenas uma vez por ano, os trabalhadores abrangidos estão a sofrer uma perda significativa de poder de compra.
A situação ganha ainda maior peso porque perto de 40% dos trabalhadores turcos recebem o salário mínimo.
Apesar disso, a Turquia aumentou significativamente esta remuneração nos últimos anos.
Cinco países da União Europeia continuam sem salário mínimo nacional
Nem todos os Estados-membros da União Europeia dispõem de um salário mínimo estabelecido por lei.
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Itália, Dinamarca, Suécia, Áustria e Finlândia são os cinco países onde não existe atualmente um salário mínimo nacional obrigatório.
Os dados de julho de 2026 mostram, assim, que Portugal permanece longe dos salários mínimos nominais mais elevados da Europa, mas que a diferença diminui quando é considerado o poder de compra efetivo dos trabalhadores.











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