Circula viralmente nas redes sociais um vídeo que alegadamente mostra um imigrante a comer um rato na Europa. A SIC Verifica.
Newsflare/Redes Sociais
Nas redes sociais está a circular viralmente um vídeo onde surge, aparentemente, um homem a comer um rato num banco de jardim.
Há quem escreva que “a Europa tem uma nova iguaria” e diga que as imagens mostram um imigrante a comer ratos nas ruas e que este é o “‘novo normal’ da civilização ocidental”, dando a entender que as imagens são atuais e que foram registadas no Ocidente.
Uma outra publicação, esta escrita em francês, indica que se trata de um migrante de Ceuta, aproveitando assim a crise migratória do início do mês para difundir esta ideia.
Por cá, o deputado do Chega Pedro Frazão alimenta a mesma narrativa e difundiu o mesmo vídeo alegando que se trata de um “imigrante a comer um rato num banco de rua”.
Ao mesmo tempo questiona se “é isto que estamos a importar para a Europa“ e defende que a “imigração sem controlo tem consequências”.
Através de uma busca reversa pelo vídeo é possível identificar a sua origem. O vídeo, com 14 segundos, foi publicado pela primeira vez na plataforma Newsflare, uma comunidade e plataforma de comércio online onde os utilizadores podem publicar conteúdos de vídeo e receber pagamentos.
De acordo com a informação disponível, o vídeo foi captado a 5 de janeiro de 2024 na Cidade do Cabo, África do Sul, e não na Europa.
“Estava a fazer a minha caminhada matinal quando vi um homem a mastigar um rato morto. Estava sentado num banco no passeio junto à Praia de Saunders. Um local muito popular para nadar, correr, caminhar, fazer piqueniques e não ver pessoas a comer roedores mortos”, lê-se na informação disponibilizada nessa plataforma.
Segundo o título do vídeo tratar-se-à de uma pessoa em situação de sem-abrigo, embora não seja possível escrutinar, com maior detalhe o que levou o indivíduo a “comer o rato” e se, de facto, o fez.
Não há qualquer evidência que se trate de um “imigrante” ou de um “migrante de Ceuta” nem o vídeo é, como já referido, atual.
Uma busca pela paisagem em segundo plano confirma que o vídeo foi gravado na Cidade do Cabo, como se verifica por esta imagem – onde o mesmo banco de jardim, o caixote do lixo, os prédio de fundo, as palmeiras e todo o ambiente coincide com a imagem do vídeo – e pelo Google Maps.
O vídeo apenas foi reaproveitado, como uma nova narrativa alocada a ele, para difundir discurso de ódio contra os imigrantes, aproveitando a recente crise migratória em Ceuta que está a dividiu opiniões e a gerar muita discussão.
O ato de desumanizar grupos e minorias é estratégia comum e reconhecida pelas Nações Unidas no discurso de ódio. Na prática, os movimentos neonazis e defensores da supremacia branca têm vindo a ganhar cada vez mais força e a retórica passa por estigmatizar e desumanizar as minorias, os migrantes, os refugiados, as mulheres e todos aqueles rotulados como ‘os outros’.
Desta forma, nas redes sociais é cada vez mais frequente ver estes vídeos, de casos concretos e descontextualizados, com narrativas e mensagens de ódio contra migrantes numa espécie de “nós contra eles”, procurando mostrar superioridade em relação a estes grupos.
A SIC Verifica que é…
As imagens foram gravadas na Cidade do Cabo, África do Sul, em janeiro de 2024, e mostram uma pessoa em situação de sem-abrigo. O vídeo está a ser usado para difundir discurso de ódio contra imigrantes.











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