Custos de financiamento dos governos disparam dos dois lados do Atlântico.
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As rendibilidades das obrigações de longo prazo nas maiores economias europeias atingiram na terça-feira máximos de vários anos, enquanto a rendibilidade das obrigações do Tesouro dos EUA a 30 anos subiu para o nível mais alto em quase duas décadas.
A onda de vendas surgiu numa altura em que esmoreciam as expectativas de uma resolução rápida do conflito com o Irão, o que impulsionou os preços do petróleo e reavivou receios de uma inflação persistente. A referência internacional Brent estava a negociar perto dos 91 dólares por barril na manhã de terça-feira, num contexto de fortes tensões no Médio Oriente.
“O colapso das conversações de paz entre os EUA e o Irão aumentou o risco de os preços da energia se manterem elevados até ao fim do ano, o que pode manter a inflação acima do esperado e aumentar a probabilidade de os bancos centrais subirem as taxas”, afirmou Richard Carter, responsável de investigação em rendimento fixo na Quilter Cheviot, à Euronews Business.
Os investidores apostam cada vez mais numa política monetária mais restritiva na zona euro, com a taxa de depósito do BCE a dever atingir 2,76% até março de 2027, acima dos 2,25% atuais.
Segundo a Trading Economics, os investidores atribuem uma probabilidade de 90% a uma subida das taxas pelo Banco Central Europeu (BCE) em setembro.
Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos, a rendibilidade das obrigações do Tesouro a 30 anos atingiu 5,33%, um nível que não se via desde 2007. No Reino Unido, a rendibilidade das obrigações do Tesouro a 30 anos (“gilts”) negociou em 5,85%, o valor mais alto desde maio de 2026.
Com as obrigações soberanas novamente sob forte pressão vendedora à escala global, a rendibilidade da dívida francesa a 10 anos subiu na manhã de terça-feira para 4,10%, o nível mais alto desde junho de 2009.
A rendibilidade do Bund alemão a 10 anos, referência para a zona euro, ultrapassou 3,25%, atingindo o nível mais elevado desde março de 2011.
A rendibilidade das obrigações francesas a 30 anos atingiu o valor mais alto desde 2008, num contexto de fortes vendas globais de dívida e de crescente preocupação com as negociações orçamentais para 2027 e com as eleições presidenciais do próximo ano. A rendibilidade das obrigações alemãs a 30 anos subiu para 3,78%, o nível mais elevado em 15 anos.
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A subida das rendibilidades das obrigações de prazo mais longo não se explica apenas pelas expectativas de taxas de juro mais altas e pelos receios de inflação.
“Os investidores estão preocupados com a dimensão do endividamento nas principais economias, incluindo o Reino Unido, França e Japão”, acrescentou Carter, notando que “volumes significativos de emissões de obrigações ligadas à inteligência artificial também aumentaram a oferta, criando pressão adicional sobre os preços e fazendo subir as rendibilidades”.
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Custos de financiamento mais elevados pressionam as economias e encarecem o financiamento de vários tipos de investimento.
À medida que as agências de gestão da dívida pública recorrem continuamente aos mercados obrigacionistas, o efeito do salto nas rendibilidades irá refletir-se gradualmente nos seus custos de financiamento, à medida que forem refinanciando dívida que vence.
Segundo a S&P Global Ratings, a Itália deverá refinanciar em 2026 dívida que vence equivalente a 17% do PIB, contra 12% em França e 7% tanto na Alemanha como no Reino Unido.
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“Para já, os mercados obrigacionistas deverão manter-se sensíveis tanto à evolução geopolítica como aos dados económicos”, disse Carter.
Acrescentou que as obrigações continuam a ser atrativas para os investidores, porque as rendibilidades permanecem historicamente elevadas e superam confortavelmente a inflação, oferecendo um retorno positivo já descontada a subida dos preços.











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