Os primeiros meses de 2026 continuam a revelar uma realidade preocupante para a liberdade religiosa na Europa. Igrejas, sinagogas e mesquitas foram alvo de vandalismo, incêndios criminosos e outros atos de violência, embora com padrões distintos consoante as comunidades religiosas e os países afetados.
Os levantamentos publicados ao longo de 2026 pelo Observatório sobre Intolerância e Discriminação contra Cristãos na Europa (OIDAC Europe) demostram que os ataques contra locais de culto cristãos continuam a ocorrer de forma regular em vários países europeus, com os incêndios criminosos a destacarem-se como uma das formas de violência mais recorrentes.
Segundo a organização, apenas entre janeiro e maio foram documentados dezenas de ataques contra igrejas e outros edifícios cristãos.
Os relatórios mensais registaram 10 ataques incendiários em janeiro, 11 em fevereiro, 5 em abril e 13 em maio, o mês com maior número de ocorrências desde o início do ano.
Embora a OIDAC acompanhe todas as confissões cristãs, muitos dos locais atingidos situam-se em países de maioria católica, pelo que uma parte significativa dos casos envolve igrejas e capelas católicas.
Igrejas e capelas entre os principais alvos
Entre os casos documentados este ano encontram-se o incêndio de uma igreja em Castrezzato, em Itália, um incêndio numa igreja em Arnsberg, na Alemanha, e a destruição de uma capela em Vechta, também em território alemão.
Na região francesa de Loiret, um altar de uma igreja paroquial foi incendiado deliberadamente, enquanto nos Países Baixos três igrejas sofreram incêndios num intervalo de poucos dias.
Em Itália, a Basílica de San Siro, em Génova, foi vandalizada com inscrições anticlericais que apelavam ao incêndio de igrejas.
Na Polónia, uma tentativa de incêndio danificou uma capela onde se encontrava um ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
Os relatórios incluem ainda ocorrências semelhantes em França, Alemanha, Reino Unido, Irlanda, Espanha e outros países europeus.
Além dos incêndios, foram igualmente registados atos de profanação, destruição de imagens religiosas, danos em altares, grafites ofensivos, furtos e interrupções de celebrações religiosas.
Os ataques não atingiram apenas igrejas cristãs e ao longo de 2026 já foram igualmente registados vários incidentes contra sinagogas e instituições judaicas.
Entre os casos mais graves contam-se uma explosão que danificou uma sinagoga em Liège, na Bélgica, um incêndio numa sinagoga em Roterdão e diversas tentativas de incêndio e ataques contra sinagogas e centros comunitários judaicos na área de Londres. Em vários destes episódios, as autoridades abriram investigações por suspeita de crime de ódio e, nalguns casos, no âmbito do contraterrorismo.
Também as mesquitas continuaram a ser alvo de vandalismo e intimidação. No Reino Unido, organizações representativas da comunidade muçulmana denunciaram ataques recorrentes a locais de culto islâmicos, incluindo danos materiais, grafites islamofóbicos e ameaças dirigidas aos fiéis.
A OIDAC Europe considera que muitos destes casos acabam por receber reduzida atenção pública, defendendo um maior acompanhamento dos crimes motivados por ódio religioso e uma recolha mais uniforme de dados entre os Estados europeus.









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