Kirst Kuipers: “Europa é um dos mercados onde identificamos um potencial significativo nos ETF”


O mercado global de ETF, instrumentos disponíveis aos investidores que replicam por exemplo os índices bolsistas ou outro tipo de ativos (exemplo: S&P 500, obrigações, ouro, etc), cresceu de 2,5 biliões de dólares em 2014 para mais de 15 biliões de dólares na atualidade, refere o Head of Institutional iShares Sales EMEA & Head of Official Institutions Sales Europe da BlackRock, Kirst Kuipers, ao Jornal Económico (JE). Kirst Kuipers refere que a Região da Europa, Médio Oriente, e África (EMEA) está “numa fase inicial” da curva de adopção os ETF mas que estes instrumentos tornaram‑se “elementos centrais” na construção de carteiras em toda a região EMEA, com um “forte dinamismo” tanto nos segmentos institucionais como nos de retalho.

A região Europa, Médio Oriente e África (EMEA) está “numa fase inicial” da curva de adoção de external traded funds (ETF), instrumentos disponíveis aos investidores que replicam por exemplo os índices bolsistas ou outro tipo de ativos (exemplo: S&P 500, obrigações, ouro, etc). No caso da Europa este é um mercado com um “potencial significativo” para uma maior adopção. Este é um dos principais destaques da entrevista concedida pelo Head of Institutional iShares Sales EMEA & Head of Official Institutions Sales Europe da BlackRockKirst Kuipers, ao Jornal Económico (JE).

A iShares é a marca da BlackRock que integra a oferta da gestora de ativos de external traded funds (ETF).

Neste mercado a BlackRock e a Vanguard são os grandes players. Em termos globais a vantagem vai para a BlackRock e no mercado norte-americano a Vanguard assumiu a liderança em junho de 2026 depois deste lugar ter sido ocupado desde 2003 pela BlackRock.

Kirst Kuipers refere que os ETF tornaram‑se “elementos centrais” na construção de carteiras em toda a região EMEA, com um “forte dinamismo” tanto nos segmentos institucionais como nos de retalho.

“Entre as instituições, estamos a observar uma adopção contínua por parte de fundos de pensões, seguradoras, gestores de ativos e até bancos centrais, impulsionada pela necessidade de liquidez, flexibilidade e eficiência de custos”, explica.

“Actualmente, 60% dos maiores detentores de activos nos 15 principais mercados europeus possuem ETF iShares. A adopção também se está a alargar, com os ETF a serem utilizados cada vez mais não apenas para alocação táctica, mas como parte da construção central das carteiras. Novos clientes no segmento institucional representaram cerca de 25% dos fluxos nos últimos três anos”, acrescenta.

Apesar deste maior interesse da região EMEA, em comparação aos Estados Unidos, que continua a ser o mercado de ETF mais maduro, a região EMEA ainda está numa “fase inicial” da sua curva de adopção, mas está a recuperar rapidamente. “O que distingue a Europa é que o crescimento está a ser impulsionado por mudanças estruturais, como alterações nos sistemas de pensões, o crescimento das plataformas digitais de gestão de património e uma procura crescente por instrumentos de investimento transparentes e de baixo custo. Esta combinação sugere um forte potencial para uma expansão contínua”, considera.

A região EMEA, no que a ETF diz respeito, tem uma “perspectiva favorável” de crescimento a longo prazo. “O mercado global de ETF já cresceu rapidamente, passando de 2,5 biliões de dólares (2,1 biliões de euros à taxa de câmbio atual) em 2014 para mais de 15 biliões de dólares (13,1 biliões de euros) atualmente, e a Europa continua a ser um dos mercados onde identificamos um potencial significativo para uma maior adopção”, diz.

Este crescimento, explica, está a ser apoiado por uma combinação de “adopção institucional, inovação contínua e mudanças estruturais”, como a transição de sistemas de pensões de benefício definido para contribuição definida. “À medida que mais investidores passam para a propriedade individual das suas carteiras, há uma maior ênfase na eficiência de custos, transparência e diversificação, todas características intrínsecas aos ETF”, adianta.

No que a ETF diz respeito uma das características fundamentais da região EMEA é a sua “diversidade”, com o comportamento dos investidores a “variar significativamente” entre países e segmentos de clientes. “Ainda assim, existem temas consistentes: os investidores dão grande importância à eficiência de custos, à transparência e à diversificação, e utilizam cada vez mais os ETF como instrumentos flexíveis de implementação na construção das carteiras”, refere.

“Outra distinção é a crescente relevância das estratégias de sustentabilidade e das abordagens alinhadas com índices de referência, nas quais os investidores procuram equilibrar os objectivos das carteiras com considerações ambientais, sociais e de governança (ESG). A evolução dos sistemas de pensões também está a moldar o comportamento, com os modelos de contribuição definida a impulsionar a procura por soluções de investimento acessíveis, diversificadas e de baixo custo que possam ser utilizadas em larga escala”, acrescenta.

Crescimento tem trazido ofertas mais exóticas

Mas com o crescimento do mercado de ETF têm surgido as chamadas ofertas mais exóticas. Estas são traduzidas por ETF alavancados até ETF que apostam em tecnologia ligada a OVNI.

Para Kirst Kuipers a inovação no mercado de ETF é “positiva” e reflete a “crescente amplitude” da procura por parte dos investidores. “No entanto, o ponto essencial é que nem todos os ETF são adequados para todos os investidores. Embora os produtos temáticos ou mais especializados possam ter um papel, devem ser considerados cuidadosamente em termos de como se enquadram numa carteira mais ampla”, alerta.

“Para os investidores, o foco deve estar sempre em compreender a exposição subjacente, o nível de risco e o papel que o produto desempenha no cumprimento dos seus objectivos de investimento. Os ETF são uma estrutura eficiente, mas a estratégia subjacente continua a exigir o mesmo nível de análise rigorosa que qualquer outro investimento”, defende.

O Head of Institutional iShares Sales EMEA & Head of Official Institutions Sales Europe da BlackRock diz ainda que os investidores institucionais “recorrem cada vez mais” aos ETF porque estes oferecem uma combinação de “liquidez, transparência e eficiência de custos que é particularmente valiosa” no ambiente de mercado atual. “Permitem ajustar exposições rapidamente, rebalancear carteiras de forma eficiente e aceder a uma vasta gama de classes de ativos de forma simples. Isto é especialmente útil em períodos de volatilidade, quando os investidores procuram instrumentos que lhes permitam reagir com rapidez. Em momentos de incerteza, os ETF podem proporcionar preços transparentes, acesso a múltiplas camadas de liquidez e a capacidade de ajustar exposições em ações, obrigações, matérias‑primas e outros mercados sem necessidade de reconstruir carteiras título a título”, explica.

ETF com papel “mais central” no segmento institucional

Kirst Kuipers diz ainda que se está a observar que os ETF desempenham um papel “cada vez mais central” nas carteiras institucionais, incluindo como parte de mandatos indexados. “Isto reflete uma mudança mais ampla para abordagens de investimento mais flexíveis e orientadas para a carteira como um todo, onde a velocidade de implementação e a simplicidade operacional são considerações fundamentais”, refere.

“Atualmente, 28 bancos centrais detêm iShares, incluindo 18 na Europa. O facto de bancos centrais utilizarem ETF como instrumento de investimento constitui um sinal poderoso para outros investidores institucionais”, considera.

Apesar desta maior adopção de ETF este considera que estes instrumentos “não estão a substituir” os fundos tradicionais, mas “estão a transformar” a forma como os investidores constroem as suas carteiras. “A sua transparência, liquidez e eficiência de custos tornam‑nos instrumentos altamente eficazes tanto para alocação estratégica como táctica”, sublinha

“Em particular, os ETF estão a ajudar os investidores a avançar para uma construção de carteiras mais flexível, onde as exposições podem ser ajustadas de forma rápida e eficiente. Isto é cada vez mais importante num ambiente de mercado em que a volatilidade é mais elevada e os investidores estão focados na gestão do risco e no acesso à diversificação a custos mais baixos”, esclarece.

Mercado deve procurar continuação da inovação

Para onde para ir o mercado? Kirst Kuipers diz que espera uma “continuação da inovação” no mercado de ETF, especialmente em áreas como estratégias temáticas, ETF ativos e soluções adaptadas a plataformas de pensões e de gestão digital de património. “À medida que as necessidades dos investidores evoluem, o desenvolvimento de produtos irá concentrar‑se cada vez mais na oferta de resultados específicos, e não apenas na exposição ao mercado”, explica.

“Ao mesmo tempo, o apelo central dos ETF — incluindo transparência, liquidez e eficiência — continuará a ser determinante. À medida que a adopção se alarga, particularmente nos sistemas de pensões e no investimento autodirigido, é provável que os ETF desempenhem um papel ainda mais relevante na construção de carteiras de longo prazo”, diz.

Questionado sobre o impacto que a inteligência artificial pode ter ao nível dos ETF, o Head of Institutional iShares Sales EMEA & Head of Official Institutions Sales Europe da BlackRock diz que esta tecnologia tem potencial para “melhorar de forma ampla” o processo de investimento — desde a investigação e construção de carteiras até à negociação e gestão de risco. “Também poderá acelerar o crescimento das plataformas digitais e automatizadas de investimento, muitas das quais utilizam ETF como elementos centrais na construção das carteiras”, adianta.

“No domínio da análise de títulos, a nossa equipa BlackRock Systematic utiliza modelos de linguagem de grande escala treinados com conjuntos de dados cuidadosamente selecionados para executar tarefas de investimento específicas com maior precisão. A supervisão humana permanece essencial, combinando a arte e a ciência do investimento, enquanto a escala da BlackRock e a equipa sistemática composta por mais de 220 profissionais — incluindo especialistas em investimento, investigadores, cientistas de dados e engenheiros — contribuem para manter uma forte capacidade de investigação e implementação”, explica.





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