Mais de 70 mil pessoas colocaram a Europa à prova. Ceuta foi “teste à resiliência europeia”


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O Comissário Europeu para as Migrações, Magnus Brunner, considera que a invasão em Ceuta foi um teste à “resiliência europeia e um teste à segurança das fronteiras terrestres”. Brunner afirmou que não vê uma ligação entre a regulação da imigração e a entrada de cerca de 72.000 pessoas em Ceuta, mas admite que regularização não “é um bom sinal para a Europa”.

As declarações de Magnus Brunner aconteceram após uma reunião de emergência entre todos os ministros do Interior da União Europeia (UE) depois de, na semana passada, cerca de 72.000 pessoas vindas de Marrocos terem entrado em Ceuta a nado em menos de 24 horas. O incidente provocou o caos na pequena cidade espanhola que, de acordo com o governo espanhol, tinha 83.595 habitantes em 2025.

“Os últimos dias foram um teste à nossa resiliência europeia, um teste à segurança das nossas fronteiras externas, e mostraram claramente que há atores que não têm qualquer consideração pela segurança, ou mesmo pela vida, de pessoas inocentes”, afirmou Magnus Brunner.

Segundo dados avançados pelo ministro do Interior de Espanha, Fernando Grande-Marlaska, morreram, pelo menos, 75 pessoas a tentar chegar a Ceuta. Após a reunião por videoconferência com os restantes ministros da UE, o governante revelou ainda que 70.000 pessoas já voltaram a Marrocos.

Fernando Grande-Marlaska respondeu às críticas de vários líderes europeus e assegurou que o Espaço Schengen nunca esteve em perigo. “Ficou claro que Ceuta tem um regime especial em Schengen desde 1991, no sentido de que nenhuma pessoa pode sair de Ceuta sem um controlo efetivo de documentos, incluindo os próprios cidadãos da União Europeia. Ou seja, nenhuma pessoa pode mover-se livremente de Ceuta para o continente”, garantiu o ministro do Interior espanhol.

De acordo com a Euronews, a reunião serviu também para aliviar as tensões com Espanha, depois de fortes críticas às políticas migratórias do Presidente do governo Espanhol, Pedro Sánchez.

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, representou Portugal no encontro. Numa nota de imprensa enviada ao 24notícias, o Ministério garante que o governante português defendeu que a UE “deve responder com unidade, firmeza e responsabilidade à crise migratória em Ceuta” e considerou que o episódio é uma “rutura na tendência recente de redução das entradas irregulares na Europa”.

Luís Neves concordou que o incidente não pôs em causa “a integridade do Espaço Schengen”, mas garantiu que a vigilância da fronteira marítima portuguesa foi reforçada e admitiu que o Governo está disponível para adotar medidas adicionais.

O ministro português mostrou-se solidário com Espanha e as autoridades espanholas e lamentou ainda a perda de vidas humanas.

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