O ramo europeu do movimento “Planetary Health Alliance” pediu às instituições europeias uma “mudança radical de ambição nas políticas de adaptação às alterações climáticas e de proteção da saúde”, alertando para o impacto crescente das ondas de calor.
A “European Declaration on Heat and Health”, promovida pela “Planetary Health Alliance — European Regional Hub” é um alerta para o impacto crescente das ondas de calor na saúde e ao documento associou-se também o Conselho Português para a Saúde e Ambiente (CPSA).
A “Planetary Health Alliance” é um movimento global focado em enfrentar os impactos das perturbações humanas nos sistemas naturais da Terra, na saúde humana e em toda a vida no planeta. A parte europeia junta 165 instituições e mais de 2.000 membros, de 19 países. Integra a saúde humana e a proteção ambiental na investigação, políticas e educação em toda a Europa.
Os signatários da declaração, destaca o CPSA em comunicado, classificam as ondas de calor que atingiram a Europa nos últimos dois meses como “uma crise de saúde pública previsível” e defendem que apesar de a Europa dispor de estratégias, sistemas de alerta e planos de adaptação, estes têm-se revelado insuficientes para proteger a população face a eventos extremos cada vez mais frequentes e intensos.
O movimento apela para “uma resposta mais ambiciosa, rápida e coordenada das instituições europeias”.
Os autores da declaração recomendam, entre outras sugestões, a criação de um Plano Europeu de Ação Calor-Saúde, o reforço da proteção dos trabalhadores e a adaptação das unidades de saúde, escolas, lares e habitações.
O CPSA diz no comunicado que a urgência da declaração é confirmada pelos números e cita a Organização Mundial da Saúde para alertar que o calor provocou mais de 200 mil mortes na Europa nos últimos quatro anos, enquanto a mortalidade relacionada com o calor aumentou cerca de 30% nas últimas duas décadas.
Portugal, recorda, está entre os países europeus mais expostos ao calor extremo, com o número de ondas de calor a mais do que duplicar a partir de 2022.
Entre 2014 e 2023, o número de dias de ondas de calor a que estiveram expostas as pessoas com mais de 65 anos foi 53% superior ao registado entre 1986 e 2005, assinala o CPSA.
“O calor extremo já não pode ser tratado como um fenómeno excecional ou apenas ambiental. É uma ameaça direta à saúde e exige preparação, investimento e respostas coordenadas”, diz, citado no comunicado, o presidente do CPSA, Luís Campos.
O CPSA disponibiliza o Guia “Ondas de Calor e Saúde em Portugal”, que reúne informação baseada em evidência científica e recomendações práticas dirigidas a cidadãos, profissionais de saúde, municípios, instituições, escolas, lares e empregadores.
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