Shein prepara subida de preços na Europa por causa da nova taxa de três euros


A Shein prepara-se para aumentar os preços dos produtos vendidos na Europa para compensar o impacto da nova taxa de três euros aplicada às encomendas extracomunitárias de valor igual ou inferior a 150 euros.


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Segundo o Cinco Días, a empresa reconhece que esta medida, em vigor desde 1 de julho, representa um risco para o negócio europeu e poderá ter impacto nas vendas, à semelhança do que já aconteceu nos Estados Unidos.

A informação consta da documentação enviada pela Shein à Bolsa de Hong Kong no âmbito do processo para se tornar uma empresa cotada.

Taxa de três euros altera modelo de negócio

Até agora, os produtos vendidos pela Shein beneficiavam de um mecanismo simplificado de declaração de IVA na União Europeia e de uma isenção aduaneira para encomendas com valor real inferior a 150 euros.

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Esse cenário mudou com a nova taxa fixa de três euros aplicada a cada encomenda que entra no mercado comunitário com valor igual ou inferior a esse montante.

A empresa admite ainda a possibilidade de, nos próximos meses, surgir uma nova taxa de processamento, que poderá acrescentar entre dois e quatro euros aos encargos atuais.

A Shein reconhece que a “grande maioria” dos produtos que comercializa tem origem na China continental e admite que estas alterações possam ter um impacto material no seu negócio, situação financeira e resultados.

Preços vão subir para compensar custos

De acordo com o Cinco Días, uma das principais respostas da Shein será aumentar os preços na Europa para recuperar parte dos custos adicionais.

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A empresa admite, contudo, que essa estratégia possa penalizar os volumes de vendas no curto prazo.

A Shein considera mesmo possível que o impacto sentido na União Europeia venha a ser semelhante ou superior ao registado nos Estados Unidos.

Estados Unidos já mostraram o risco

No mercado dos EUA, a empresa enfrentou uma situação semelhante depois de terem sido alteradas as regras aplicáveis aos pequenos envios provenientes da China.

A Shein refere que os seus produtos de origem chinesa ficaram sujeitos a taxas entre 10% e 87,5%.

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A empresa respondeu igualmente com aumentos de preços, mas reconhece que isso teve consequências negativas.

Entre maio e o final de 2025, a Shein registou um impacto desfavorável nas vendas líquidas nos Estados Unidos.

Em 2025, o mercado americano representou 24% das vendas totais da empresa. Já no primeiro trimestre de 2026, as receitas globais cresceram apenas 1,1%, depois de o negócio nos Estados Unidos ter recuado 14,3%.

Na Europa, as vendas aumentaram 2,3% no mesmo período, ainda antes de os efeitos da nova regulamentação começarem a ser sentidos.

Europa é o principal mercado da Shein

A importância da Europa torna o novo cenário particularmente relevante para a empresa.

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No primeiro trimestre de 2026, o mercado europeu representou mais de 32% das receitas totais da Shein, tornando-se o principal mercado mundial do grupo.

A empresa alerta que novas tarifas ou restrições aplicadas nos países onde vende produtos, sobretudo quando estes são enviados diretamente da China, podem dificultar a sua capacidade para operar nesses mercados.

Milhões de encomendas chegam todos os anos da China

A taxa de três euros aplica-se a qualquer compra online de produtos extracomunitários abaixo dos 150 euros, embora tenha sido desenhada num contexto de forte crescimento de plataformas como Shein, Temu e AliExpress.

Segundo dados da Comissão Europeia citados pelo Cinco Días, no ano passado entraram na União Europeia 5,9 mil milhões de encomendas com valor igual ou inferior a 150 euros.

Esse número representa um aumento de 28% em relação a 2024 e de 150% comparativamente com 2023.

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Cerca de 90% dessas encomendas tiveram origem na China.

Em Espanha, a associação Anged estima que tenham entrado 220 milhões de encomendas em 2025, mais 23% do que no ano anterior.

O mesmo relatório indica que Espanha é o país europeu onde a Shein tem maior penetração, alcançando 52,6% dos utilizadores de comércio online.

Medida é temporária até 2028

A atual taxa de três euros deverá manter-se apenas de forma transitória.

A União Europeia prevê aprovar em 2028 uma reforma aduaneira mais ampla, altura em que este modelo será substituído pelos direitos aduaneiros aplicáveis a cada categoria de produto.

Até lá, a Shein terá de ajustar a sua estratégia europeia, sendo o aumento de preços uma das principais respostas previstas para absorver o novo custo.

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