O dólar sobe nesta segunda-feira (10), com investidores repercutindo as incertezas em torno do conflito no Oriente Médio e a reabertura do estreito de Hormuz, via marítima por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural produzidos no mundo.
Por volta das 12h55, a moeda norte-americana subia 0,32%, a R$ 5,100. No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar ante uma cesta de seis moedas de países desenvolvidos, avançava 0,19%, aos 99,73 pontos.
No mesmo horário, a Bolsa recuava 0,20%, a 172.152 pontos em linha com os índices acionários do exterior. Nos EUA, S&P 500, Nasdaq e Dow Jones tinham desempenho misto.
Durante a sessão, sem divulgação de dados econômicos relevantes, investidores voltam suas atenções para a guerra no Oriente Médio.
No sábado (8), um funcionário iraniano de alto escalão da área de segurança nacional apresentou uma lista de exigências que, segundo ele, os EUA terão de cumprir antes que o estreito de Hormuz possa ser reaberto ao tráfego marítimo.
Mohammad Bagher Zolghadr, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, divulgou um comunicado veiculado pela mídia estatal no qual enumera várias condições para a reabertura do estreito.
Ele exigiu que os EUA suspendam o bloqueio naval e as sanções contra o Irã, retirem as forças militares americanas das proximidades do país, paguem reparações devido à guerra e liberem ativos iranianos congelados, além de encerrarem os ataques aos aliados do Irã na região e as ameaças contra o país. É improvável que o governo Trump aceite essas exigências.
Enquanto isso, Teerã nega estar negociando com Washington. Segundo o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, existem apenas “troca de mensagens” por meio de intermediários entre os países, e as conversas não poderão ser retomadas enquanto os Estados Unidos continuarem cometendo “violações” do acordo.
Em função das incertezas, os preços do petróleo sobem nesta segunda. O barril Brent, referência internacional da commodity, sobe 3,39%, a US$ 86,92, por volta das 12h55.
“Em um dia sem um guia claro, as incertezas relacionadas ao Oriente Médio, com o prolongado impasse diplomático entre Estados Unidos e Irã, acabam ganhando relevância”, diz Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX.
O conflito pressiona os ativos domésticos. A guerra interrompe a circulação no estreito de Hormuz e aumenta o temor entre investidores de um repique inflacionário global, o que gera uma maior cautela entre investidores.
“O aumento da percepção de riscos geopolíticos globais prejudica o desempenho de ativos arriscados, como as moedas emergentes, que é o caso do real, exercendo pressão altista sobre a nossa taxa de câmbio”, afirma Leonel.
Analistas do mercado financeiro também continuam atentos à temporada de balanços. A semana terá a divulgação de resultados do 2º trimestre de BTG Pactual, Banco do Brasil e Casas Bahia.
Nesta segunda-feira, foi a vez da Embraer. A fabricante registrou lucro líquido ajustado de R$ 1,11 bilhão no segundo trimestre de 2026, em comparação com R$ 890,3 milhões registrados no mesmo período do ano passado, um aumento de 25%. Com o resultado, as ações da empresa eram o destaque do pregão, subindo 7,40%, a R$ 99,38.
Na sexta, os resultados de empresas também foram o destaque do pregão. Os balanços da Renner, Magazine Luiza e C&A vieram abaixo das expectativas do mercado e pressionaram o pregão, com quedas de até 8%.
Segundo analistas, os resultados do setor acenderam alertas sobre o impacto da desaceleração do consumo e do aumento do endividamento das famílias sobre os números das companhias. O cenário de juros altos tem castigado o setor mais do que o esperado.
Ainda no pregão, analistas aguardam os dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e a ata da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), ambos previstos para esta terça-feira (11).
“Uma inflação comportada e uma ata com tom menos rígido poderiam estimular novas quedas dos juros futuros e beneficiar principalmente ações de consumo, varejo, construção civil e empresas mais sensíveis ao custo do crédito”, diz Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil.
O contrário também vale. Sinais de uma inflação persistente ou de preocupação com as expectativas podem manter os juros mais elevados, limitando uma recuperação mais consistente da renda variável brasileira.
Nos EUA, o foco da semana também estará sobre os dados econômicos. Na sexta-feira (7), o relatório de emprego (payroll), principal indicador do mercado de trabalho acompanhado pelo Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA), mostrou resultados abaixo do esperado em julho.
Dados divulgados pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA revelaram o fechamento de 23 mil postos de trabalho em julho, após a criação de vagas em junho ter sido revisada para baixo, de 57 mil para 20 mil.
Para André Valério, economista sênior do Inter, os dados do mercado de trabalho reforçam que o foco do banco central americano será o combate à inflação.
“O foco da política monetária americana passa a ser a inflação. Warsh disse que, caso veja uma aceleração inflacionária, estaria disposto a aumentar os juros na reunião de setembro. A divulgação do CPI (Índice de Preços ao Consumidor), nesta quarta-feira, portanto, será o centro das atenções”, afirma.











Leave a Reply