Grupos iraquianos ameaçam responder a ataques dos EUA e da Arábia Saudita


“A nossa resposta contra o inimigo americano é inevitável e poderá atingir os seus instrumentos na Arábia Saudita”, afirmou num comunicado a Resistência Islâmica no Iraque, uma organização difusa que reivindicou centenas de ataques contra instalações norte-americanas na região desde o início da guerra no Médio Oriente.

Este grupo armado composto por um conjunto de milícias xiitas integra o chamado “eixo de resistência”, uma coligação liderada pelo Irão de que faz parte também, entre outros, o grupo extremista palestiniano Hamas, o movimento libanês do Hezbollah e os rebeldes iemenitas huthis.

As Forças Armadas norte-americanas anunciaram, na terça-feira, que intercetaram uma série de mísseis iranianos e atuaram em conjunto com as forças da Arábia Saudita para atacar locais no Iraque que, segundo Washington, são utilizados pelas milícias apoiadas por Teerão para lançar ataques.

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) adiantou na mesma ocasião que todos os mísseis iranianos lançados contra as forças norte-americanas no Médio Oriente tinham sido intercetados, acrescentando que as tropas iam continuar vigilantes e “em estado de elevada prontidão”.

Ao anunciar as ações no Iraque, os Estados Unidos alertaram que novos ataques contra as tropas norte-americanas ou contra infraestruturas petrolíferas da Arábia Saudita poderiam desencadear ações adicionais.

Antes da divulgação desta informação, o Centcom tinha informado que o Irão tinha tentado um “ataque surpresa” com mísseis balísticos contra as forças norte-americanas no Médio Oriente.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou hoje que os bombardeamentos contra o Iraque foram coordenados com Bagdad, embora o Governo iraquiano ainda não tenha confirmado essas declarações.

Momentos antes, a presidência iraquiana tinha mesmo condenado os ataques conjuntos dos Estados Unidos e da Arábia Saudita que tiveram como alvo o Hashd al-Shaabi, uma aliança de grupos armados iraquianos que inclui fações pró-iranianas.

A presidência iraquiana, que não mencionou nominalmente os Estados Unidos e a Arábia Saudita, afirmou denunciar “os bombardeamentos que visaram as bases do Hashd al-Shaabi”, considerando-os um “ataque inaceitável e uma violação flagrante da soberania do Iraque, dirigido contra as suas instituições oficiais”.

O primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, horas mais tarde e após as declarações do chefe de Estado norte-americano, ordenou uma reunião de emergência do conselho de segurança nacional na sequência do ataque conjunto de Riade e de Washington.

Na segunda-feira, Al-Zaidi já tinha solicitado a abertura de um inquérito, após Riade ter anunciado a interceção de vários drones provenientes do Iraque e que tinham como alvo instalações petrolíferas.

Nos ataques de Washington e Riade morreram pelo menos 20 pessoas, segundo o Hashd al-Shaabi.

Entre os mortos no ataque ocorrido na província central de Diyala contam-se pelo menos cinco conselheiros iranianos, referiram as fontes da aliança armada à agência de notícias France-Presse (AFP).

Jornalistas da AFP relataram ter visto caixões cobertos com bandeiras iranianas durante funerais organizados pelo Hashd al-Shaabi, em Bagdad.

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