Caso a diplomacia com os Estados Unidos falhe, o Irã intensificará as tensões no Estreito de Ormuz e em toda a região, disse à agência de notícias Reuters nesta segunda-feira (17) um alto funcionário iraniano.
Ele ressaltou uma mudança na política iraniana, que será orientada para a ofensiva em vez da defensiva.
Horas antes, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que se Omã ‘entrar no caminho’, o país será alvo de ‘bombardeios pesados’. A fala de Trump, em entrevista à Fox News, foi durante questionamento sobre as negociações paralelas entre Omã e o Irã para administração do Estreito de Ormuz.
Em meio a isso, o Irã afirmou ter chegado a um acordo com Omã sobre um plano para o trânsito de navios por Ormuz.
As partes estão agora trabalhando para finalizar os detalhes de uma declaração conjunta, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghei.
‘Um acordo foi alcançado em relação ao mapa da rota de trânsito’, disse Baghei, sem fornecer mais detalhes.
De acordo com informações divulgadas anteriormente, o acordo reabriria o estreito, permitindo que os navios entrassem por uma rota próxima ao Irã e saíssem por uma rota próxima a Omã. Os navios transitariam sem pagar impostos ou pedágios durante o período de transição.
Irã usou cessar-fogo com os EUA para preparar intensificação da guerra no Oriente Médio, diz jornal
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos — Foto: Divulgação/Casa Branca
O Irã teria usado o cessar-fogo no conflito com os Estados Unidos para se preparar para uma intensificação na guerra no Oriente Médio.
A informação é do jornal Wall Street Journal, reportando um ‘Plano secreto do Irã para intensificar a guerra’. O cessar-fogo chega ao fim nesta segunda-feira (17).
Fontes da inteligência sugerem uma mudança estratégica por parte dos líderes para aumentar os custos para os Estados Unidos e seus aliados regionais.
Segundo o jornal americano, Teerã acreditava que os Estados Unidos estavam apenas ganhando tempo para um futuro ataque e, por essa razão, nos últimos 60 dias, intensificou a produção de mísseis e drones e nomeou linha-dura para posições-chave.
O Wall Street Journal afirma que autoridades de inteligência árabes sinalizaram uma ‘mudança estratégica’ entre os líderes iranianos para ‘preparar suas forças para intensificar a guerra’.
Mohammad Hassan Sangtarash, analista de defesa baseado em Teerã, declarou que ‘há uma visão generalizada no Irã de que a verdadeira guerra ainda não começou’.
Em meio a isso, os iranianos acusaram os EUA de violarem os acordos de cessar-fogo de 60 dias apenas algumas semanas após sua assinatura, em junho.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, disse que ‘não há nenhuma disposição’ no memorando de entendimento que faça referência a tal prazo.
Em vez disso, ele disse que o memorando previa um período de 60 dias para negociações sobre o levantamento das sanções e ‘a questão nuclear’.
‘Devido à violação flagrante e generalizada do memorando pelos Estados Unidos apenas algumas semanas após sua assinatura, nenhuma negociação foi iniciada’, acrescentou.
Lançamento de míssil iraniano contra bases americanas no Oriente Médio. — Foto: AFP
‘Como resultado, a questão do prazo de 60 dias tornou-se completamente irrelevante’.
Além disso, o Irã negou a existência de um novo mediador em suas relações com os Estados Unidos, após a Axios ter noticiado nesse domingo (16) que o presidente do Curdistão iraquiano havia contatado o Pasdaran para abrir um canal direto com o governo Trump.
‘O principal problema entre Teerã e Washington não é a falta de um mediador’, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baqaei, conforme relatado pela agência de notícias Tasnim .
‘Em relação a questões ligadas às relações Irã-EUA, países como Paquistão e Catar estão tentando desempenhar um papel de mediadores. É natural também que alguns países europeus expressem sua disposição, mas isso não significa a formação ou aceitação de um novo mediador no processo de relações Irã-EUA’.
Para ele, o principal desafio é o ‘tipo de visão, os erros de cálculo e a insistência do governo americano em métodos e abordagens que se provaram ineficazes centenas de vezes’.











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